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Convivência

janeiro 27, 2012

O experimentador não participa do mundo: a experiência se realiza “nele”e não entre ele e o mundo.

(Martin Buber em Eu e Tu)

“Igreja” entre aspas

janeiro 18, 2012

Somos pedra ou gente? Para o autor, a igreja de Jesus Cristo é o grupo dos seus seguidores com uma missão, espalhados pelo mundo. Mesmo que a maioria dos cristãos concorde com essa forma de ser igreja, poucos a vivenciam apenas assim. Eles a vivem em diferentes instituições religiosas com suas diferentes – e, por vezes, mutuamente excludentes – definições “bíblicas” do que é ser um seguidor de Cristo, e desenvolveram formas, ritos, funções e outras coisas que os determinam. A consequência inevitável é a igreja com estatuto, CNPJ, cargos, hierarquias, templos e uma missão.

A igreja de Cristo, originalmente “gente”, passou a ser mais do que apenas o grupo dos seus seguidores espalhados pelo mundo. Ela foi transformada em “pedra”, ela se tornou em pessoa jurídica que precisa ser mantida. A manutenção da instituição é o que consome a maior parte dos seus recursos. Até mesmo a sua missão de “fazer discípulos” (de Cristo), tornou-se para ela em necessidade de “fazer fiéis” (da instituição) para dar conta da sua manutenção e de seus projetos. Assim, mesmo que não expresso e muitas vezes nem desejado, a sua prioridade está voltada ao “ser pedra” em detrimento do “ser gente”.

O autor identifica corajosamente essa situação em nossas igrejas, aponta para as consequências dessa inversão de valores e estimula a autocrítica tanto das instituições quanto dos seus “fiéis”, com o objetivo de reaproximá-los do seu caráter original, de “gente”.

A orelha do livro que deve estar nas prateleiras no início de 2012.

Tomado pelo escrutínio da minha consciência esponho minhas intimidades, neste blog,  rastreada tão somente pelo meu coração.  Também quero deixar claro que minha intenção ao escrever não é polemizar ou gerar controvérsias, mas ser construtivo. Tostoi dizia que “A felicidade do homem consiste em querer fazer o bem.” Então, sem demora, vamos ao que interessa.

Percebo que o autor postula um assunto que  já algum tempo tem gerado, dentro da esfera eclesiástica,  “as crises de expressão que caracteriza o homem de hoje”. Tenho de confessar que hesitei em admitir  que em parte ele tem razão, e por isso o livro do Tuco Egg trará um pouco de luz para meu entendimento. Reconheço que o poder “absoluto” “hermético” do clero,  e a direção  que  “igreja” tomou nestes últimos tempos foi extremamente alarmante. Descontente, logo, o homem percebeu que a força opressora da instituição tende a manipular; privar o homem de sua liberdade e  macular sua identidade. Deste modo, uma  massa homogênea ganha aderência, autonomia, independência dentro de um “sistema anônimo”. É dentro dessa realidade (trilha)  que somos confrontados.

Minha percepção amiúde é que a distância percorrida do paradigma que se construiu na era pós-apostólica se alonga cada vez mais – a Igreja é como um organismo vivo, e não como uma instituição. A  igreja de jesus deriva da lei da vida interior. Do encontro das existencias. Cada vida pode ser um agente de transformação. Cada vida pode adicionar beleza ao Reino de Deus.

Jesus disse que todo mestre religioso “instruído quanto ao Reino de Céus é como o dono de uma casa que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas”

(Mateus 13. 52)

Tuco Egg, parabéns pelo livro, camarada!

Chagas

Idolatria

janeiro 18, 2012

O primeiro ídolo, aquele que nos tranforma a todos em idólatras, não é uma estátua e sim o ego. Não estou me referindo àquela dimensão imaginária do psiquismo, imaginada por Freud, e também chamada de ego. Falo sobre um modo de agir que exprime: “Eu julgo a nós dois e sou mais importante que você.”Ter um ego não é pensar que você tem talento ou é uma boa pessoa. neste caso, trata-se de confiança em si mesmo ou, em casos extremos, de uma vaidade comum. Ego significa arrogância. pensar que você é melhor do que outra pessoa. Aumenta sua importância na presença e às custas  de alguém mais.

Lawrence Kushner Deus esteve aqui e eu não sabia.

A metáfora dos olhos de Deus

janeiro 17, 2012

“Porque a terra que estais prestes a possuir é terra de montes e vales… A terra de que o Senhor vosso Deus tem cuidado. Os olhos do Senhor estão sobre ela continuamente, desde o princípio até o fim do ano.”

(Deuteronômio 11.10 – 12)

Em outras palavras no lugar em que você viveu até agora Deus enviou água para que sua plantação crescesse, quer você merecesse ou não. No futuro, pórem, você será recompensado apenas se merecer. Os olhos do Senhor estarão sobre nossa sociedade para ver se vivemos segundo Seus princípios.

A meu ver, a única coisa que nos define como seres humanos é a metáfora dos olhos de Deus estarem sobre nós. Não considero esta frase literalmente, pois não acredito que Deus tenha olhos com os quais ficará nos observando ( se acreditasse, teria de ficar perguntando de que cor são os olhos de Deus). Em vez disso, interpreto a frase como um aviso de que Deus faz exigências morais que devemos cumprir, e segundo as quais devemos viver. Para mim , este verso dos Deuteronômios é péssimo em termos meteorológicos – não tenho razão para acreditar que a chuva cai apenas sobre as fazendas dos virtuosos – , mas excelente em termos teológicos – somos chamados a viver em um nível superior pela simples noção de que nosso comportamento interessa a Deus.

(Harold Kushner em Quem precisa de Deus?)

O amor é melhor do que a vida

janeiro 15, 2012

O teu amor é melhor do que a vida! Por isso meus lábios de louvam.
(Salmos. 63.3)

A árvore plantada a beira das águas correntes é uma bela imagem; mas o campo de atuação da espiritualidade está repleto de escombros.
O homem contemporâneo preferiu segurar-se no corrimão do pragmatismo ocidental. Do ponto de vista prático, nada é realmente objetivo em relação às aspirações humanas quando se trata das demandas pessoais que movem a vida humana. Principalmente o entendimento profundo da realidade do coração. Minha impressão é que o homem ocidental contemporâneo não conseguiu conciliar a justificação e a retidão. A razão disso, o assunto merece ser revisitado pelo cristão.

Ora, Deus é grande e tem de lidar com a nossa im-piedade – piedoso é aquele que cumpre regras, com a inclusão do “IM” temos a negação dessa virtude. Desse modo, no cristianismo, a religião do caminho, a justificação e a retidão são irmãs gêmeas do processo.
Quando o rei Nabucodonosor ergueu uma imagem de ouro, e ordenou que todo o povo a adorasse quando ouvisse um som da musica. Três jovens  hebreus, que haviam sido segregados  da pátria, a ideia de adorar outro deus era repugnante.  Deus é uma realidade onipresente não uma ideia em que podemos crer ou não!

Minha percepção, obviamente limitada, é de que algumas pessoas conhecem as escrituras, mas não conhecem o poder de Deus; outras  conhecem o poder de Deus, mas não conhecem as escrituras. Não obstante,  integrar  justificação e retidão deve ser nosso desafio, neste tempo, para conectar  a realidade da nossa vida e da igreja, com o chão da graça.
Portanto, o homem contemporâneo não conseguiu, ainda, compreender os conceitos de “piedade”, “sagrado” justamente por ele ser dessacralizado. O homem diviniza suas paixões, suas ilusões, suas virtudes. Segundo André Chouraqui, para o hebreu, a palavra  “santo” e as realidades que designa categorias imediatas de sua consciência:

A intervenção de Deus na história, de que Ele é o Senhor. (…) O julgamento de Deus é de todos os instantes e concerne a todos os vivos. Uma ideia central comanda a metafísica do julgamento de Deus: o homem é idêntico ao que quer ser. Ele se identifica com o que ama, e a  resposta à sua única questão – ser ou não ser, viver em Deus ou desaparecer no nada – vem dele e, em sua liberdade, se inscreve para ele nas balanças da eternidade. (CHOURAQUI, 1990, p. 286)

Sadraque, Mesaque e Abede-nego haviam apreendido não se curvar diante dos apelos sedutores da idolatria.
“ O teu amoré melhor do que a vida!” Tempos depois, outro escritor escreveu “ Para mim a vida é Cristo, e a morte é lucro”

(Filipenses 1.21)

Educador do século XVI, Francisco de Sales, dizia: “ Não tente conseguir de outra maneira o que não conseguir por amor”. Jesus é o único Caminho. Se cremos que Jesus  é o filho de Deus encarnado. Se cremos que somos verdadeiros adoradores, deveríamos  além de cantar inspirados no domingo, também, viver para glória de Deus toda semana. Afinal de contas, “sufocar a piedade e diminuir a devoção a Deus” (Jó 15.4) pode ser vital para nós.

Por fim, assim como a justificação e a retidão; a paz e a benção; o amor e a vida estão ligados tão estreitamente, que é impossível desassociá-los. Portanto,  encontrar a espiritualidade presente em todo e qualquer ato de nossa existência, na comunhão de um coração em chamas, no “exercício da piedade” é nossa maneira de dizer ”não posso parar”.  Não tenho mais que me orientar pelas expectativas do mundo, ou pelas expectativas das pessoas. Deus fez tudo por mim. O que o importa é que o seu Amor é melhor que a vida!

Que a graça te seja multiplicada.

Chagas

CHOURAQUI,André. Os homens da bíblia, a vida cotidiana. Companhia das Letras, p.286

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