Ilusão religiosa

Postado em Pensamentos em Novembro 26, 2009 por fchagas
Hazy Moon
Image by James Loesch via Flickr

A Ilusão religiosa atua, portanto, como motor inconsciente: arranha e imobiliza o próprio corpo por meio de complexos sistemas míticos, tal como ocorre na histeria; regulamenta a mais íntima e vergonhosa privacidade por meio de  cerimônias rituais, como ocorre na neurose obsessiva; gera construções teológicas ou teogônicas que confundem o sujeito desdobrado pela dupla figura do perseguidor e do perseguido, como acontece na paranóia; ou eleva a um estatuto idólatra o lado morto e perdido do sujeito desdobrado , em relação ao qual o lado vivo do sujeito guarda a dor e veste-se de luto, como ocorre na melancolia.

(Eugenio Trías – Filósofo  e escritor)

Minhas lágrimas sem cor e meu anel de cipó

Postado em Vibrações da Alma em Novembro 25, 2009 por fchagas

Sem querer abracei um momento  brutal e estúpido. Ganhou contornos que  me conduz a reflexão. Importei uma dor perdida no tempo que zomba de mim, mas no  íntimo e secretamente permaneço inflexível, numa posição de cavaleiro medieval. Uso  armas da viscosidade intelectual,  por causa  da necessidade de viver e lutar pelas minhas convicções; de defender minha ideologia; de sair em defesa dos valores fundamentais da minha personalidade que dão sentido à minha vida.

No embate da vida, preciso ficar a postos.  Quando necessário, protejo-me. Uso palavras e frases que enchem as páginas dos livros. Não posso demonstrar minhas fraquezas. Em meus olhos não existe qualquer ódio, nenhuma gota de sangue, nenhum ímpeto de cólera, nem agressividade e nem violência. Sinto-me como um transeunte sem pátria.

Não resisti muito tempo, minha postura guerreira arrefeceu e, causou-me inquietações. Parecia que o prazo de validade estava vencido. Um especialista nessas questões dramáticas prescreveu o uso de “lágrimas artificiais” para manter minha linha de comando ativa.

Confesso, existem momentos em que lágrimas transparentes escorrem. Sinto o peso delas, mesmo assim, aborto e ninguém vê. Sinto um forte desejo de trazê-las à tona, destravar a tranca e derramar minhas lágrimas sem cor.  Mas acontece o de sempre… A dor latente começa zombar. Não me resta alternativa, a não ser, um preço a pagar. Não blasfemo, nem desanimo. Consulto o “oráculo” em busca de socorro.  Mas sinto que a dor do choro continua celebrando a ausência de lágrimas. O silêncio  revela  minha tristeza. Todavia privo minha alma de soluçar…

Mas todos choram, menos eu. Até Paulo na sua carta aos Coríntios escreve: “No meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas”, (II Co. 2:4).

Todos choram lágrimas de amor…
Todos choram lágrimas de saudade…
Todos choram lágrimas de felicidade…
Todos choram lágrimas de emoção…
Todos choram lágrimas de dor…
Todos choram lágrimas de tristezas.
Enfim, todos choram.

Sinto que há uma proibição devido à posição que ocupo. Porém não há lugar para aparências.  Percebo que as pessoas olham de soslaio, com ar investigativo para os meus procedimentos.  Como um camaleão misturei-me as imagens que circundava. Ergo-me, ponho meu anel de cipó. Nesse caso, sou impassível, às vezes incompreendido.  Inevitável. Foi um ato inconsciente de defesa, quando sobrevem algo difícil de suportar.

O espelho denuncia sintomas narcisistas, inclinações de rejeição, divagações,  e atitudes sem sentido real gerados por conflitos interiores da alma. Logo, prontamente, driblei a ilusão. Há um erro, uma incógnita nesta história: a incompreendida mente.

Embotei, por alguns instantes, uma angústia que não compreendia tomar conta de mim. Tenho insigts da vida real, do mundo ao redor. Espero o dia e o momento de romper à represa.  Deslumbrar a graça,   o perdão e o imensurável amor de Deus.

(Salmo 43:1 – 5)   É preciso continuar a esperar no Senhor! Um dia hei de agradecer-lhe.”

A cultura do consumo em terras tupiniquins

Postado em Vibrações da Alma em Novembro 23, 2009 por fchagas

Gilberto Safra ensina-nos que o homem emerge em si mesmo, a fim de que possa acontecer e iniciar o processo de inicialização (culturalmente) a partir de um lugar, não um lugar físico. Ele (homem), em seu nascimento não garante uma participação no mundo ou ambiente favorecido. Partindo dessa premissa, todos nós compartilhamos dessa realidade para vivermos integralmente. Ou seja, a pessoa precisa do próximo para ver a si mesmo. Isto, porém, nos leva ao seguinte questionamento. Qual? O mundo partilhado real é diferente do idealizado.

Da mesma forma Júlio Zabatiero, no prefacio do livro ética cristã, diz: “Numa sociedade pluralista, como a em que nós vivemos, é fundamental a existência de valores éticos definidos que norteiem a conduta dos cristãos, de modo que venham a oferecer um modelo de vida alternativo à sua sociedade. No meio evangélico há diferentes propostas éticas, quer conscientemente elaboradas, quer não: todas querendo a aprovação dos cristãos, reivindicando serem bíblicas.” Logo, é uma construção de todos e elos que se juntam.

Desde os primeiros passos da minha fé cristã, escuto declarar que a igreja é um organismo vivo e, portanto, em seu caráter têm a responsabilidade de transformar e influenciar a sociedade. Caso contrário, perde sua característica. Por isso, gostaria de discorrer e acentuar esse assunto trazendo dois textos:

A lógica do capitalismo é criar necessidades, para então satisfazê-las. Barbara Axt

Na nossa cultura, o consumo se tornou a medida de uma vida bem-sucedida da felicidade e da decência humana. Com isso, a noção de limites para os desejos humanos foi apagada e se instaurou a idéia de que todos têm o direito e a obrigação de realizar todos os seus desejos de consumo. Dessa forma, nenhuma quantidade de aquisição e sensações emocionantes tem possibilidade de trazer satisfação esperada, pois não há um padrão de consumo a ser mantido na medida em que o padrão desejado, a linha de chegada, avança junto com o corredor, e as metas permanecem continuamente distantes. São inseguranças, frustrações e medos dessa corrida sem vencedores finais que constituem esses demônios interiores da cultura de consumo.

Só que na mentalidade de fortaleza sitiada – tomada visível em condomínios fechados, bairros exclusivos, tentativa de construir muros em volta das favelas, etc. – , os demônios interiores são projetados para fora na figura dos inimigos que lhes ameaçam. Nesta lógica, “os excluídos do jogo’ (os consumidores falhos) são exatamente a encarnação dos ‘demônios interiores’ peculiares à vida do consumidor.” “cada vez mais, ser pobre é encarado como um crime; empobrecer, como produto de predisposições ou intenções criminosas – abusos de álcool, jogos de azar, drogas, vadiagem e vagabundagem. Os pobres, longe de fazer jus a cuidado e assistência, merecem ódio e condenação – como a própria encarnação do “pecado”. BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 57, 59 Citado por Sung J. M. Sementes de esperança.

“A sociedade do progresso rápido, a sociedade capitalista, é filha legítima do demônio.” Fernando Pedreira

A revista ultimato trouxe uma estatística bastante informativa: Os 10% mais ricos do Brasil faturam 68 vezes mais que os 10% mais pobres. A transferência de 5% da renda dos mais ricos para os mais pobres poderia tirar da miséria 25 milhões de pessoas (15% da população). São Paulo é a única cidade do mundo que tem duas lojas Montblanc. O Brasil é o segundo mercado de helicópteros e o único país do mundo onde a Cartier vende a prazo. A marca italiana Diesel escolheu São Paulo para abrir seu segundo hotel, depois de Miami.

Como salvar a vida de 900 mil crianças até 2015

Embora tenha havido uma ampla redução da extrema pobreza no mundo nos últimos 25 anos, mais de 1 bilhão de pessoas ainda vivem com menos de 1 dólar por dia (menos de 70 reais por mês).

Chega a quase 300 bilhões de dólares o que os Estados Unidos estão gastando com as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Com 25 milhões de dólares por ano, seria possível reduzir bastante a desnutrição nos países mais críticos da África e da América Latina e, com isso, salvar a vida de 900 mil crianças até 2015.

Uma guerra é capaz de destruir em horas o que levou anos ou décadas para ser desenvolvido.

A pobreza faz com que 44% da população da América Latina viva em favelas ou bairros precários, que só oferecem condições mínimas para sobreviver.

Em pleno século 21, a fome ceifa 5 milhões de crianças todos os anos (a cada segundo morre uma criança de fome). Quando não matam, a desnutrição e a fome causam muitos sofrimentos, inclusive dor e deficiências físicas e mentais, na maior parte das vezes para sempre. O mercado de luxo movimenta mais de 200 bilhões de dólares por ano, e este montante pode chegar a 1 trilhão de dólares daqui a cinco anos. (1)

(1)Ultimato: Dinheiro, consumismo e luxo: demônios vestidos de branco. nº 298, Jan/Fev. 2006

What a Wonderful World – Louis Armstrong

Postado em Vídeos e Filmes em Novembro 19, 2009 por fchagas

Outros caminhos

Postado em Pensamentos em Novembro 18, 2009 por fchagas

No mundo famigerado e faminto por definições e conceitos;  que valoriza o capitalismo e os métodos de entretenimento das massas, usados estrategicamente para manipular os incautos,  é preciso opor às suas formas, e  encontrar  outros caminhos que apontem para Jesus.

“…movemo-nos num prodígio de cálculos, sustentando na árdua lida de uma jornada a raridade do nosso desejo.”

(Wendell Berry)