O mito é o nada que é tudo
O mito é o nada que é tudo
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo
Este que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos braços.
Por não ter vindo foi vindo
E nos creou
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre
De nada, morre.
(Fernando Pessoa )
Novembro 17, 2007 às 3:44 pm
Está aí um mente lúcida.
Abração, meu caríssimo.