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Por que ir à Igreja?

novembro 27, 2007


Ela decaiu não porque foi contestada, mas porque se tornou irrelevante, enfadonha, opressiva e insípida.(Abrahma Joshua Heschel)

Por que ir à Igreja? Essa é uma pergunta não muito nova, porém uma pergunta viva para muitos nos nossos dias, aliás essa pergunta nunca foi tão viva.

A Igreja se tornou enfadonha e sem sal. Ela se tornou uma atração desatrativa, ou melhor, ela se tornou um poço de repugnância. Porém, a pergunta é: dê-me um motivo para freqüentar a Igreja? Confesso, não sei se consigo te seduzir ou tento me explicar para poder ter mais força de ir à Igreja, mas como a minha proposta não é levantar mais críticas e sim te seduzir, lá vai: Eu creio que a Igreja ainda é o local das possibilidades!

Possibilidade de Percepção da Graça

Creio que a graça é uma disposição da trindade em criar, manter e salvar o homem. Não creio numa graça barata e nem numa graça que é desgraça. Creio numa graça que mais do que ser plano salvífico é plano mantenedor da vida. É mais ou menos assim: só estamos vivos por meio da graça (At 17:28), ou seja, se tudo existe nele, só existimos mediante a graça. A graça então já é essência da existência, mas para muitos ela é despercebida. No “mundo” (1) estamos debaixo da graça, mas não percebemos a graça. Porém, na Igreja existe ainda a possibilidade da percepção da graça. É claro que quando chegamos à Igreja, nos encontramos com o fundamentalismo, com pastores despreparados, ainda assim é o local em que a graça é vista nas irmãs caridosas, nos pastores apaixonados pela obra de Deus, nos aleluias e glórias a Deus que unem ricos e pobres, comendo do mesmo pão e do mesmo vinho, pois seja o que for isso não vem de nós é dom gratuito de Deus (Ef 2:8-9).

Não desprezo nenhuma manifestação extra-Igreja da graça, aliás, a percebo em todos os lugares. Todavia, ainda é para mim a Igreja, a possibilidade da graça e isso não pode ser desprezado.

Possibilidade do Bom Caminho da Vida, Apesar de Barreiras Intransponíveis que se Levantam contra Nós

A vida nos prega peças, situações intransponíveis. A morte, a falência, a tragédia não anunciada ou anunciada. Barreiras que se levantam muitas vezes contra nós. Diante dessas situações, temos dois caminhos, vivermos na amargura, ou o contrário viver bem a vida, apesar da vida. E é exatamente aí que percebo a Igreja como a grande possibilidade do “viver bem” (2), pois a Palavra Bíblica é a Palavra da vida. Quando Cristo fala que é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14:6) penso que ele estava afirmando: “eu sou a possibilidade de você viver bem, mesmo que a vida te traga muita dor”.

Quando falo em viver bem, falo naquele homem ou mulher que não vive pela alienação, mas vive pelo prazer de viver. O prazer na vida; e isso ainda se aprende na Igreja. A Igreja não é o local que tudo dá certo, mas é o local que existe uma maior possibilidade da vida dar certo.

Possibilidade de se Aprofundar na Maior Revelação Divina

Eu não gostaria de frustrar ninguém, mas a maior revelação de Deus é Cristo (o homem) e depois o homem (homem). Perdoe-me os fundamentalistas de plantão, mas a Bíblia é menor do que o ser humano. E é exatamente na Igreja que existe a possibilidade de gente se tornar gente, pois quando nos encontramos com Cristo mais humanos nos tornamos e quanto mais humanos, mais nos aprofundamos em gente. É isso que me encanta, uma conversão que me converte ao próximo. É claro que vemos ainda a manifestação do “não gente” dentro da Igreja, mas ainda existe a grande possibilidade de ver gente dentro da Igreja.

Poderia citar muitas outras possibilidades, mas paro por aqui, dizendo: “ainda vale a pena ir à Igreja, pois apesar de tudo, ainda é o local das possibilidades”.

(1) Usei esta palavra no sentido de ausente da Igreja, não como estrutura maldita.

(2) É uma situação de paz de espírito apesar das intempéries da vida.

Paulo Maurício – diretor do ICEC, professor de novo testamento, cirurgião dentista, professor de biologia, mas tudo isso é menor do que ser casado com a Carla e pai da Letícia.

7 Comentários leave one →
  1. novembro 27, 2007 5:19 pm

    Além disso tudo, ela poderia ser menos instituição. Em um mundo globalizado, como o nosso, torna-se necessário globalizar uma igreja voltada ao indivíduo. Ninguém aguenta novas ditaduras. A ditadura das comunidades, do mercado e dos governos já bastam. Jesus estendeu a graça a seres humanos e não a membros dessa ou daquela sociedade ou idealismos.

  2. novembro 28, 2007 1:18 pm

    Muito boa a reflexão proposta pelo texto, eu penso que existem dois tipos de pessoas que se dispõem a levantar as mãos, bater palmas e louvar a Deus num culto de domingo, as pessoas que já vem de um berço evangélico, e logo tem esse “modus operandis” incutido em seu software interno, e as pessoas que não tem essa condição e quebraram uma inexplicável barreira, a qual no meu caso foi plano de Deus mesmo, pois jamais por vontade própria teria essa iniciativa de participar assiduamente de reuniões evangélicas. No meu caso especifico acredito que foi plano de Deus, aonde em um momento de minha vida, um novo amigo me saltou diante de mim, e praticamente me ensinou o habito de ir a cultos regularmente.
    Mas penso que está surgindo um novo tipo de geração de pessoas e de cabeças, as quais perguntam: para que ficar levantando as mãos e cantando, isso faz alguma diferença pra Deus ??? Já ouvi isso várias vezes, e não soube contra argumentar, fugi das respostas prontas o que seria uma catástrofe, preferi ficar quieto e simplesmente sorrir.
    Para finalizar vou à igreja mais para me sentir bem, é algo que agora faz parte da vida, e se não o faço, sinto falta…

    Valeu ! ! !

  3. novembro 30, 2007 5:32 pm

    Lou,concordo plenamente com sua colocações,porém vejo que a graça não se preocupa com instituição e sim a instiuição que se preocupa com a graça!
    acho seu comentarios sempre relevantes.

  4. novembro 30, 2007 5:35 pm

    CHAGAS,
    Meu caro amigo,seu blog é uma delicia!Não por ter meu texto,mas por que ele fala para o humano o que humano precisa ouvir.
    um abraço de quem é seu adimirador.

  5. maio 26, 2010 9:00 pm

    O conceito que os primeiros cristãos tinham da graça era diferente que a de nós. A igreja primitiva não via a graça como algo que passa por alto os pecados senão aquela que nos ensina como arrepender nos dos pecados. Veja… http://www.aigrejaprimitiva.com/dicionario/GRACIA.html

  6. adriana Link Permanente
    dezembro 29, 2010 9:17 pm

    Tenho tentado encontrar uma razão para ir a igreja,conheço o amor de Deus e o plano da salvação, mas quando chego a igreja o que vejo é a instituição a ditadura.Sei da importancia da união dos irmão,que juntos somos mais,mas não me sinto assim na igreja.Sinto, ao contrário um monte de gente que mal me conhece,nem tem tempo de me conhecer,querendo me cobrar e dizer o que fazer.E isso eu não suporto.

  7. maio 29, 2011 10:40 pm

    o enfado criado pelo o homem é quem destroi o homem, ao ser desviado e desviar do caminho impactante, a palavra de Deus. e para ser impactante , o espírito, corpo e alma precisam “transcender” a presença do pai.
    ” Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” gálatas cap. 1 , v. 8.

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