O sofrimento alerta para salvação

“Pelos pobres e oprimidos e os necessitados que gemem, agora me levanto – declara o Senhor: porei a salvo a quem o deseja!” (Salmos 12:5) O sofrimento espelha a condição humana. Para muitos a vida é como ela é. (dramática).

O fio que costura nossa percepção a respeito do assunto, pode-se dizer que o ser humano é constantemente ameaçado em sua sobre-vivência, nas experiências sofridas; fracasso, dor, injustiças sociais, ou seja, prenha das misérias, provocando uma reação de protesto por mudanças. Afinal, Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (João 10:10). Aquele que tem Cristo tem a vida.

Um ponto a destacar encontra-se no episódio da ressurreição do filho da viúva de Naim quando Jesus foi reconhecido como um novo profeta. “Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo. (Lucas 7:16) Empolgado com a salvação, o apóstolo Paulo escreve: “Vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos” (2 Co 8,9 NVI). E, afirma que a fé vem pelo ouvir a palavra de Deus. (Rm 10:14) Ora, pela própria dinâmica do amor de Deus, todos os sentidos são agraciados; para aqueles que vêem, sentem e, principalmente, para aqueles que passam por flagelos. Ou seja, os desprovidos de suas condições básicas.

Neste sentido, em termos da ação salvadora, distinguimos o grito da alma. Jesus estabelece aliança entre Deus e os homens. Revela-se Deus-homem. Daí, confessamos e aceitamos de forma imprescindível Sua presença em nossa história.

Assim, J. Sobrinho, expressivamente, escreve sobre o tema: “A palavra (logos) expressa a possibilidade de conhecer a Deus e o caminho para chegar a conhecê-lo. É a resposta à eterna pergunta dos seres humanos: quem é Jesus. Deus é aquele que se manifesta no Cristo que é Jesus. E o é de maneira bem precisa: Deus não é só aquilo para que apontam palavras ou ações de Jesus, mas o que é Jesus. E, ao contrario, Jesus não é só aquele que fala sabiamente acerca de Deus – embora o faça com mais sabedoria que qualquer outro – nem sequer é só quem realiza a vontade de Deus – ainda que com mais radicalidade que qualquer outro – mas é a carne de Deus em nossa história. Deus toma carne e toda a carne de Jesus. E, ao contrario, todo Jesus mostra Deus”. (¹)

O assunto é intricado, porém, inadiável. A quem diga que o termo “salvação” deve ser abrangente. Talvez seja a razão de não ser desvirtuado. Vale uma avaliação conjunta. O Ricardo Gondim assinala que o “Cristianismo deve, portanto, assumir o compromisso de continuar visitando os campos de exilados (Darfur), as clínicas de Aids (África do Sul), as periferias miseráveis das grandes cidades (Brasil) para anunciar a mais alvissareira de todas as notícias: Deus não se esqueceu dos pobres.” (²).

Diante de Deus, o ser humano carece da Sua misericórdia. A Vida abundante prometida é motivadora. A salvação é concedida por tão única e exclusivamente pela Graça. Ainda que devamos desenvolvê-la, com temor e tremor, numa experiência maravilhosa. (Fl. 2:12) Então, somos agentes transformadores, não temos de nos acomodar com o silêncio profundo das autoridades constituídas para estabelecer a dignidade humana. A bíblia nos impulsiona a lutar.

O salmista escreveu:

“Fazei justiça ao fraco e ao órfão, procedei retamente para com o aflito e o desamparado. Socorrei o fraco e o necessitado; tirai-o das mãos dos ímpios.”

Salmos 82:3 – 4)

O profeta Isaias em seu tempo já exortava:

“Lavai-vos, purificai-vos!

Tirai da minha vista as vossas más ações!

Cessai de praticar o mal,

Aprendei a fazer o bem!

Buscai o direito, corrigi o opressor!

Fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva!

(Isaias 1:16 – 17)

A salvação aplica-se, de um modo geral, a proteção, restauração e restituição a dignidade humana. O reino de Deus é …, e por conseguinte também salvação, consiste em justiça, paz e alegria. (Rm 14:17;Ex 22:20;23:1 – 9). Acontece nas coisas concretas; no abraço ingênuo e profundo, na libertação dos desafios da vida. – Há tempos fiz uma leitura, desinteressada, porém, afirmativa de que o amor de Deus não se esgota nas experiências humanas. – Assim sendo, caminho com olhar fixo nAquele que fascina com gestos singelos a fim de superar minhas limitações e esperar sem economia a misericórdia de Deus.

Pai… mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém

(¹) J. Sobrinho, A Fé em Jesus Cristo – ensaios a partir das vítimas, vozes, Petrópolis, 2000, p.261

(²) Ricardo Gondim

Uma resposta para “O sofrimento alerta para salvação”

  1. Também creio que Deus não esqueceu os pobres. Ele não usa computadores e deve ter sua memória intacta. Nós é que estamos cada vez mais distantes das coisas que Deus jamais esquece.

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