Salvação: cristianismo e judaismo
“Tudo o que é pulsação do sagrado. As aves dos céus, os lírios dos campos… Até o mais insignificante grilo, no seu cricri ritmo, é uma música do Grande mistério. É preciso esquecer os nomes Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida”
(Rubem Alves)
Depois os principais dos sacerdotes e os fariseus formaram conselho, e diziam: Que faremos? Porquanto este homem faz muitos sinais. Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação. E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis, Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação. Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos. Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem. (grifo meu)
João 11: 47 – 53
Penso que Lutero tentou provocar um rompimento, distinguindo a separação da Igreja de outros povos, quando proclamou a existência de dois reinos: Um terreno, outro celestial. Sua proposta naufragou. Não houve o enlace necessário para que sua idéia ganhasse adesão. Não demorou muito, emergiu a força jurídica para destronar o processo de coligação entre Estado e Igreja. Conforme a historia remonta, essa parte de unidade, agregação ficou para as religiões e suas crenças. Afinal a igreja proporciona o ambiente como meio de aproximação entre o homem e o sagrado.
Contudo os interesses pessoais falaram mais alto. Esse conceito ressoou até nós:
Paulo Brabo, escritor, asseverou: “Dê-me um monoteísmo e moverei o mundo – a lição da história que nenhum político posterior deu-se ao luxo de esquecer ‘Pela mesma razão, aprenda comigo, o capitalismo é a incontestada religião estatal dos nossos dias: não teria sido abraçada se não se mostrasse vantajosa para seus patrocinadores. ’” (2009:69)[1]
Ricardo Quadros Gouveia, professor de filosofia, escreveu “…Nem mesmo a baixa Idade Média assistiu a uma corrupção tão profunda das instituições eclesiásticas. O protestantismo vive hoje a sua maior crise desde seu surgimento. E eu pergunto: que importa que o protestantismo morra? O que importa é que o espírito protestante sobreviva! E eu pergunto: que importa que as denominações evangélicas se corrompam? O que importa é que a Igreja invisível de Cristo sobreviva, Sua noiva e Seu corpo místico, e leve adiante, seja lá por que padrões culturais e formas institucionais, a tocha libertadora do evangelho da Graça e da paz. Deus é por nós. Quem será contra nós?” [2]
O anúncio das salvações é sem duvida uma boa sugestão para ligar o passado com o presente. Por exemplo, as histórias dos Êxodos, Reinos, Profetas, Sacerdotes e finalmente Jesus: A história da Redenção teve lugar em Belém, num estábulo, na água do Jordão, no Templo e na Sinagoga. Até alguém gritar: “Despreguem o homem da cruz”. Foi um apelo a libertação universal. Pelas nossas faltas, Pelos nossos crimes, nossas falhas. O grito “Está consumado” perfuma nossos corações. Agora os homens assumem e surgem como as verdadeiras Testemunhas da Esperança.
Afinal, há salvação somente em Jesus? Harold Kushner escreveu:
“Um rabino é um professor, ele ensina de muitas maneiras, formas e informalmente, por preceitos e por exemplos. (…) A afirmação do monoteísmo, ou seja, de que existe apenas um único Deus, é uma afirmação moral, não uma dedução matemática. Assim se existe um único Deus e Ele exige que nos comportemos dentro de uma moral e ética, então pode haver algo como o bem e o mal. Quando existem muitos deuses como nas religiões pagãs, a questão é: qual deles tem o poder de me proteger e me recompensar? Pense, por exemplo, nos conflitos descritos na Ilíada de Homero, onde os deuses tomavam partido.” (1989:63)[3]
Em razão dessas afirmações e de muitas outras ainda não apresentadas segundo Weisss-Rosmarin, “a formação de um novo coração e um novo espírito é isto que o Judaísmo exige do pecador. O perdão está baseado na regeneração ética e a salvação só pode ser encontrada por meio de incansável empenho de se corrigir. De acordo com a convicção judaica, não existem interlocutores além de arrependimento e bons atos”(1995:75) [4]
O catolicismo Romano ensina que a salvação só através da Igreja Católica.
“O concílio Vaticano II em seu decreto sobre o ecumenismo explica (Rick Jones):‘Pois somente através da Igreja Católica de Cristo, auxilio geral de salvação, pode ser atingida toda a plenitude dos meios de salvação’”(1997:22) [5]
Sem recorrer a qualquer intuito exegético, o plano da existência humana, é somente aceitando a indigência que o ser humano consegue dar sentido a sua vida, ou seja, a sua própria humanidade e seus aspectos limitados. Reconhecer a imperfeição humana. “Um deus fraco pode chorar comigo… e por isso nos amamos.” Ele é a Pedra fundamental da piedade. Tema semelhante de Paul Johnson, que afirma que a oração é uma conversação “A referencia de profunda apreciação pelo Outro, o Tu, a quem devoto meu interesse. Não sou objeto de pesquisa religiosa, mas o pesquisador daquilo que é mais do que Eu. Encontrar o Outro é descobrir, não o objeto religioso, mas um sujeito que reage como uma pessoa”.
Em suma, .” As escrituras ensinam claramente que somos salvos (justificados) pela fé em Cristo e o que Ele fez na cruz. “Concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei. É porventura Deus somente dos judeus? Não é também dos gentios? Também dos gentios, certamente, se é que Deus é um só, que pela fé há de justificar a circuncisão, e também por meio da fé a incircuncisão. (Rm 3:28 – 30)
“Pois não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”
(Atos 4:12)
Com efeito, experimento a paz que excede todo entendimento, mantendo comunhão com Ele. “Não quero perpetuar uma salvação que ‘prioriza a salvação’ como uma esperança a ser alcançada depois da morte. E as igrejas, cada uma se acreditando mais legítima, se especializam em oferecer o bilhete para a vida eterna – que só vai começar quando o coração parar de bater. Assim, meticulosas em ‘dar certeza da salvação’ aos seus convertidos, não se preocupam em ensinar como viver do lado de cá. Com esse modelo, comumente se vê gente segura de que vai para o céu, mas sem saber lidar com os momentos triviais da existência”. (Ricardo Gondim).
[1]A Bacia das Almas. (Mundo Cristão)
[2] Piedade Pervertida (Editora Igrapho)
[3] Quem precisa de Deus? (Editora Arx)
[4] Judaísmo e Cristianismo. (Editora Sêfer)
[5] Por Amor aos Católicos Romanos (Chick Publicações)













