Padaria Espiritual
No livro de datas e fatos para a História do Ceará, escreve o Barão de Studart, ao se referir ao dia 30 maio de 1892: – “funda-se em Fortaleza, à Rua Formosa, 15, a Padaria Espiritual, associação literária. Foram seus fundadores: Jovino Guedes, Antonio Sales, Lívio Barreto, Ulisses Bezerra, José de Moura, Adolfo Caminha, Temístocles Machado, Joaquim Vitoriano, Sabino Batista, Álvaro Martins, Antônio de filo de Moura, Henrique Jorge, Carlos Vitor, Jose Maria Brígido e Gastão de Castro.” Parece haver, ou melhor, há, aqui, dois equívocos:
1) Antônio de Castro não pode ser considerado fundador da Padaria. Lê-se na ata de sessão de 20 de junho de 1892: “Jose Marbri propôs que fosse admitido como padeiro o cidadão Antônio de Castro, que remeteu à padaria uma poesia intitulada Fragmentos, que foi julgada decente por unanimidade. Foi nomeada uma comissão composta de José Marbri e Inácio Mongubeira para ir buscar o novo Padeiro, que entrou, pouco depois, sendo recebido, à porta, pelos colegas. Tomando parte na fornada, o novo Padeiro escolheu no nome de guerra de Aurélio Sanhaçu, entre outros que lhe foram apresentados”. Ai está. “Antônio de Castro submeteu-se à exigência do Art. 4 do programa de Instalação, e entrou para a Padaria vinte dias depois de instalada esta, com o número limitado” de duas dezenas de sócios.
2) O Barão de Studart omite dois nomes, estes, sim, de legítimos Padeiros, desde os primórdios das labutas junto ao forno: – Tibúrcio de Freitas e Lopes Filho. Lúcio Jaguar e Anatólio Gerval figuram entre os subscritores da ata de instalação, sendo, conseqüentemente, fundadores da Padaria. Valem as retificações. Não se tire ao Sanhaçu a ufania de ter sido o primeiro eleito. Incluam-se o Anatólio e o Jaguar entre os que se enaltecem com haver concorrido para que a Padaria nascesse. Feitos esses reparos, aqui está, com seus nomes de paz e de guerra, a verdadeira relação dos vinte fundadores da Padaria Espiritual:
1- Jovino Guedes (Venceslau Tupiniquim) 2- Antônio Sales (Moacir Jurema) 3- Tibúrcio de Freitas (Lúcio Jaguar) 4- Ulisses Bezerra (Frivolino Catavento) 5- Carlos Vitor (Alcino Bandolim) 6- José de Moura Cavalcante (Silvino Batalha) 7- Raimundo Teófilo de Moura (José Marbri) 8- Álvaro Martins ((Policarpo Estouro) 9- Lopes Filho (Anatólio Gerval) 10- Temístocles Machado (Túlio Guanabara) 11- Sabino Batista (Sátiro Alegrete) 12- Jose Maria brígido (Mogar Jandira) 13- Henrique Jorge (Sarasate Mirim) 14- Lívio Barreto (Lucas Bizarro) 15- Luis Sá (Correggio Del Sarto) 16- Joaquim Vitoriano (Paulo Kandalaskaia) 17- Gastão de Castro (Inácio Mongubeira) 18- Adolfo Caminha (Feliz Guanabarino) 19- José dos Santos (Miguel Lince) 20- João Paiva (Marco Agrata)Fica organizada, nesta cidade de Fortaleza, capital da “Terra da luz”, antigo Siará Grande, uma sociedade de rapazes de Letras e Artes, denominada Padaria Espiritual, cujo fim é fornecer pão de espírito aos sócios, em particular, e aos povos, em geral.
Leonardo Mota em A padaria Espiritual (Casa de José de Alencar)













