Removendo os obstáculos da graça
Nestes últimos dias uma questão incômoda vem à mente – uma ideia básica sobre graça comunitária. Deixando de lado qualquer insinuação decorrente de que minha queixa se resume à divergência e/ou despeito, propus-me a repensar a teologia coletiva a partir do zero. Logo que por definição a nós foi concedida a graça de juntos habitarmos ao lado de Jesus.
Então, tenho algumas perguntas a fazer: Por que a maioria das pessoas procura as megas-igrejas em busca de avivamento? Como fazer isso sem humilhação preventiva, arrependimento, dependência, etc.? Por que a maioria das pessoas busca bênçãos e retribuições? Como conciliar essa imagem distorcida de um Deus que paga pelos serviços prestados com um Deus Parceiro?
Ainda outras perguntas que vale a pena. Se somos cartas vivas de apresentação e a Pedra viva que Deus soberanamente predestinou. (1Co 12: 12 – 31; Ef 2. 19 – 22; 1 Pe 2: 1 – 9) Deste modo, como fazer isso sem relacionar-se com as pedras vivas que Deus com Sua graça vem talhando “ uns com os outros” ao longo do tempo?
O Rubem Amorese fala sobre esse tipo de relação:
“Temos dificuldade de tirar a cera, a máscara. Com isso, não conhecemos e não somos conhecidos. Chegamos ao ponto de chamar a pessoa que se senta ao nosso lado, no culto, de “amado irmão” porque não sabemos o seu nome! Como pode ser amado, se não sabemos o seu nome? Só se for um amor light: baixos teores. Ou diet: sem compromissos. Ou cool: superdivertido. (AMORESE, Rubem. Icabode. p. 145)
Deus não se tornou homem por outra razão. Deus age em nós por intermédio uns dos outros. A igreja caminha em direção a Cristo. Contudo alguns obstáculos precisa ser removidos. A resistência em ouvir à voz de Deus se configura em desobedecê-Lo: por exemplo, a insensibilidade, a indiferença são conseqüências de um afastamento de Deus. “Talvez perdemos a capacidade de estar ao lado desinteressadamente mesmo quando a única coisa que se pode fazer é estar ao lado”, afirma Kivitz.
Portanto, a verdade é que está ficando muito difícil encontrar Deus em um mundo moderno. A individualidade, o egoísmo são fatores negativos que se contrapõem a afetividade. Principalmente numa sociedade em que temos tantos problemas de solidão, depressão, medos, etc., em nossas comunidades. Está ficando cada vez mais difícil em nossos dias, como afirmou o Senhor Jesus: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mt 24:12).
A mutualidade é a chave mestra da unidade na fé e no amor que fará com que o mundo conheça que Deus enviou Jesus Cristo ao mundo. “Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim” (Jo 17:22-23). A comunidade cristã deve ser esse abrigo contra os ventos tempestuosos, um lugar de acolhimento num mundo de dor. Uma comunidade que busca santidade, celebra o perdão de Deus sem minimizar o pecado. . É isso que quero dizer.
Que a graça te seja multiplicada.













