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O propósito da vida

fevereiro 15, 2012

Uma sensação de prazer acalenta meu peito ao citar Havel.

Václav Havel, presidente da República Livre Checa, antes, famoso dramaturgo,  escreveu Cartas para Olga. Escrita na prisão. Cujo conteúdo foi censurado.

Nas cartas Havel fala sobre vários temas – mas um tema repetidamente e aumenta até se tornar central em suas 144 cartas – responsabilidade como chave da identidade humana.
Para cada um nós, nossa identidade tem importância suprema. Seja o que for que outras pessoas pensem, seja o que as outras filosofias dizem, quaisquer que sejam as sugestões que façam os altos e baixos da vida, agimos e pensamos intuitivamente como possuidores de valor supremo. Simone Weil fala por todos nós quando escreve: “Não possuímos nada nesse mundo senão o poder de dizer eu”. Mas por que? Considerando quantos milhões de outros estão vivos ao mesmo tempo em que nós, quanto mais os incontáveis bilhões que vieram antes de nós e virão depois, como explicar essa intuição contra todas as probabilidades?

A convicção crescente de Havel é que “o segredo do homem está no segredo de sua responsabilidade”. Nenhum de nós chega ao mundo completo, nenhum de nós possui a sabedoria e força para criar-nos por nós mesmos. Crescemos e  amadurecemos ao responder àquilo que está fora de nós. Mas não apenas respondemos às demais pessoas ou à sociedade, quanto mais às coisas internas como nossa consciência ou nossos genes.

Ele então passa a asseverar o que todos esses pensamentos o conduziram a concluir:
“Eu diria que nossa responsabilidade é uma faca que  usamos para esculpir nossas características próprias inimitáveis no programa do ser, é a caneta com a qual escrevemos a história do ser., a história da nova criação do mundo do que cada nova existência humana sempre é”
Em outro lugar ele usa a “voz” que nos chama. Mas ele reconhece que isso pede a pergunta. “a responsabilidade humana, como sugere a própria palavra, é responsabilidade para com algo. Para que? Qual é esse instante de autoridade onipresente, onipotente e impossível de enganar, e onde, na verdade, ele reside?

Se a responsabilidade envolve tantas coisas, então é infinitamente importante saber para o que ou quem estamos  respondendo. É claro que esse  “olho”ou essa “voz” é mais alta do que a consciência e mais urgente do que amigos próximos e autoridades públicas. Na verdade ele tateia e insiste que provém de “alguém com quem eu me relaciono inteiramente e para quem, afinal, eu faria tudo. Ao mesmo tempo, este alguém se dirige a mim direta e pessoalmente”.

O chamado em Os guinness. Uma iluminadora reflexão sobre o propósito da vida e o seu cumprimento.

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