Arquivo para a Filosofia da praça categoria

Uma celebração

Posted in Conjunções, Filosofia da praça, Prosa e Poesia, Vibrações da Alma on Junho 9, 2009 by fchagas

coracao-sangradoOntem, por volta de 22h recebi um convite de meu amigo Richardson, convidou-me para uma espécie de ato de memória. Atendi com profunda gratidão. Recebi seu convite como testemunho de que, além de uma amizade autêntica, ele estava compartilhando  algo muito comovente, portanto selando um relacionamento.

UM lugar como memorial.

“Mas fica atento, guarda bem a tua vida, guarda-te de nunca esquecer as coisas que teus olhos viram nem deixa-las sair de teu coração em nenhum dia de tua vida; …” (Deuteronômio. 4.9)

Amigo, obrigado pelo convite e recepção.

Um grande abraço

Condição humana

Posted in Conjunções, Filosofia da praça, Pensamentos on Março 31, 2009 by fchagas

Talvez não exista pior privação, pior carência, que a dos perdedores na luta simbólica por reconhecimento, por acesso a uma existência socialmente reconhecida, em suma, por humanidade.

(Pierre Bourdieu)

O poeta da roça

Posted in Filosofia da praça, Prosa e Poesia on Março 23, 2009 by fchagas

Sou fio das mata, cantô da mão grosa

Trabaio na roça, de inverno e de estio

A minha chupana é tapada de barro

Só fumo cigarro de paia de mio.

Sou poeta das brenha, não faço o papé

De argum menestrê, ou errante cantô

Que veve vagando, com sua viola,

Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,

Apenas eu seio o meu nome assiná.

Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,

E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastero, singelo e sem graça,

Não entra na praça, no rico salão,

Meu verso só entra no campo da roça e dos eito

E às vezes, recordando feliz mocidade,

Canto uma sodade que mora em meu peito.

Antonio Gonçalves da Silva, Patativa do Assaré, é tido como o mais importante poeta popular do país.

Sonhos infantis, acredite neles.

Posted in Conjunções, Filosofia da praça, Prosa e Poesia, Religião on Janeiro 6, 2009 by fchagas

“Se alguém resolveu nunca ficar emocionado ou excitado, inclinado ou impedido por nenhuma emoção, este está a caminho de perder toda humanidade e não de conseguir a verdadeira tranqüilidade. Com efeito, nenhuma norma é reta pelo simples fato de ser norma severa, nem é sadia pelo fato de ser insensível”

(Santo Agostinho)

Um de meus objetivos neste ano será reverenciar a sombra na terra quente.

De tempos em tempos sou fertilizado por uma realidade bem próxima, talvez, por isso, tenho sonhos fidedignos e infantis.

Não quero ficar aprisionado pela rotina.

Não quero ser esfoliado pelo estresse.

Não quero ser consumido pelo tédio.

Não quero a companhia daqueles que buscam o ouro de tolo.

Não quero gastar minhas energias ouvindo religiosos e discursos flácidos servidos em frascos de veneno. Prefiro manter-me afastado das ideologias de interesses manipuladores.

Quero superar a preocupação da mera sobrevivência e curtir a vida sem atividades frenéticas.

Quero sorver o sabor da vida, e ter coragem para sorrir quando atravessar veredas.

Quero aprender a esperar quando não há esperança no agora, e sim, esperançar o eco do ontem.

Quero aprender a olhar o belo com o coração como uma obra de arte sem moldura.

Quero perceber o grande feito provocado pelo barulho das pipocas. Quero continuar pensando em possibilidades de intuir um sentido vital de solidariedade.

Quero continuar esmerilhando a pedra tosca e polir as razões da minha fé. Nesse caminho, estou plenamente ciente que haverá desencantos, os riscos são presumíveis, mas prefiro um caminhar ameno, consistente e mais tolerante.

Enfim, quero a liberdade de aprender. Afinal, nada substitui a descoberta infantil.

Vertiginosa Odisséia

Posted in Filosofia da praça, Religião, Vibrações da Alma on Dezembro 2, 2008 by fchagas

1) Não se deve confundir acaso e contingência. O rio da vida se adaptou a múltiplas contingências. Mas o leque de possibilidades não é ilimitado. Existem “fontes do acaso”. Não acontece de tudo.

2) A ciência não pode definir o ponto zero da “criação” do universo. Mas nada impede que se pense que o cosmos teve sua “origem” em um Deus que “ já estava lá” antes da emergência do tempo, do espaço e da matéria.

3) As condições necessárias ao nascimento da vida e à sua manutenção são tão precisas que é improvável que elas tenham sido reunidas por acaso e que tenha sido também por acaso que elas continuem se associando.

4) A ciência constata a unidade da matéria, desde as galáxias até os insetos.

Ela constata também a correspondência entre o funcionamento do universo e os instrumentos matemáticos com os quais o espírito humano o interroga. Ela constata, por fim, o processo de complexificação crescente que conduziu o mundo ao seu estado atual.

Eis reunidos muitos elementos que permitem afirmar que o universo e o homem não são produtos do acaso.

Jean Delumeau. A Espera da Aurora – vertiginosa odisséia. p. 63