Arquivo para a Leitura & Colheita categoria

Missão Integral – Ricardo Gondim

Postado em Leitura & Colheita em Novembro 15, 2009 por fchagas

IntegralEu devo expressar minha gratidão ao Ricardo pela criativa sensibilidade e  pela visão arrojada ao capitular este momento. Tenho expectativas que o livro seja uma tradução com características fundantes sobre olhar perspicaz do autor.

Que a Graça te seja multiplicada!

FChagas

Salvos da perfeição – Elienai Jr.

Postado em Espiritualidade, Leitura & Colheita, Religião em Junho 26, 2009 por fchagas

Salvos da pefeição

Pronto! Eis o livro do Elienai jr. Conheço o autor há pouco tempo, porém,  o suficiente para  inspirar  elaborações no campo das idéias.  Logo percebi estar diante de um homem Amigo da liberdade e da lógica sem peias. Afinal, “… a glória dos reis  é escrutinar palavras…”(Pv.25.2). Alegro-me pelo lançamento do livro e desde já vislumbro os frutos. Leia

Não é difícil perceber, entre cristãos, um jeito “angelical” de ser. Em nome de Deus insinuamos um ideal de santidade e nos impomos uma agenda “divina”: uma vida sem contradições, dúvidas, aflições. E, pior, sem pequenos prazeres, sem alegrias banais.

Porém, o Deus bíblico insiste em se encontrar conosco não em “outra vida”, mas na vida mesma que temos. Ele quer nos ajudar a vencer a pretensão venenosa, insinuada pela Serpente, de uma vida perfeita. Salvos da Perfeição foi escrito para nos livrar deste veneno.

Salvos da pefeição

A igreja do diabo

Postado em Espiritualidade, Leitura & Colheita, Religião em Dezembro 10, 2008 por fchagas

De uma idéia mirífica

angelConta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a idéia de fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez.

— Vá, pois, uma igreja, concluiu ele. Escritura contra Escritura, breviário contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. O meu credo será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja uma tenda de Abraão. E depois, enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante de mim, nem Maomé, nem Lutero.

Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo.

Dizendo isto, o Diabo sacudiu a cabeça e estendeu os braços, com um gesto magnífico e varonil. Em seguida, lembrou-se de ir ter com Deus para comunicar-lhe a idéia, e desafiá-lo; levantou os olhos, acesos de ódio, ásperos de vingança, e disse consigo:

—Vamos, é tempo. E rápido, batendo as asas, com tal estrondo que abalou todas as províncias do abismo, arrancou da sombra para o infinito azul.

(…) Entre Deus e o diabo

O Diabo sorriu com certo ar de escárnio e triunfo. Tinha alguma idéia cruel no espírito, algum reparo picante no alforje de memória, qualquer coisa que, nesse breve instante de eternidade, o fazia crer superior ao próprio Deus. Mas recolheu o riso, e disse:

— Só agora concluí uma observação, começada desde alguns séculos, e é que as virtudes, filhas do céu, são em grande número comparáveis a rainhas, cujo manto de veludo rematasse em franjas de algodão. Ora, eu proponho-me a puxá-las por essa franja, e trazê-las todas para minha igreja; atrás delas virão as de seda pura…

— Velho retórico! murmurou o Senhor.

fogo— Olhai bem. Muitos corpos que ajoelham aos vossos pés, nos templos do mundo, trazem as anquinhas da sala e da rua, os rostos tingem-se do mesmo pó, os lenços cheiram aos mesmos cheiros, as pupilas centelham de curiosidade e devoção entre o livro santo e o

bigode do pecado. Vede o ardor, — a indiferença, ao menos, — com que esse cavalheiro

põe em letras públicas os benefícios que liberalmente espalha, — ou sejam roupas ou botas,

ou moedas, ou quaisquer dessas matérias necessárias à vida… Mas não quero parecer que

me detenho em coisas miúdas; não falo, por exemplo, da placidez com que este juiz de

irmandade, nas procissões, carrega piedosamente ao peito o vosso amor e uma comenda…

Vou a negócios mais altos

(Machado de Assis)

Recuperar a salvação – Andrés Queiruga

Postado em Conjunções, Espiritualidade, Leitura & Colheita, Religião em Novembro 12, 2008 por fchagas

recuperar-a-salvacaoReli recentemente o livro Recuperar a Salvação, de Andrés Torres Queiruga. Encerrados os acenos e, portanto, pelo conjunto da obra, incentivo a reflexões; observações devem ser grafadas. Alguns tópicos são confluentes e foram devidamente destacados neste livro. Considero-os regentes numa escala, pois estou cansado de ouvir discursos insossos e/ou alucinantes, vibrei com novas indicações que fortaleceu meu discurso.

Uma premissa significativa encontra-se em nota introdutória como gênese na formulação da proposta. p.e. O Problema: Desde que Deus entregou ao ser humano a sua Palavra, esta ficou aberta tanto ao íntimo calor da história humana como as suas escravidões. Vai se configurando… não num mundo intangível, mas no mundo cotidiano, amassado com barro normal da vida dos homens: com suas conquistas e também com suas opressões, com seu impulso de liberdade e com suas recaídas na neurose, com seus progressos e com seus retrocessos… Então, temos … O propósito. Qual? É Deus um juiz que incute medo , legislador que dita deveres…, ou pai que inspira confiança e promove a vida? Em suma: vive-se a religião como peso ou como libertação? Desse modo, necessitamos reinterpretar o Método: Dever-se- á esperar também que, em geral, seja comum a fé e a incredulidade, pois forma justamente o solo sobre o qual ambas dialogam e se enfrentam. Um ponto de partida fundamental consiste em que cada um procure situar-se na justa disposição subjetiva: escutar o próprio íntimo com seu pano de fundo vivencial, descobrir as raízes profundas das convicções expressas, chegar até os próprios medos e aspirações ocultos, pôr a descoberto as intenções não expressas das próprias práticas religiosas, tornar consciente o estilo vital da própria relação com Deus…

A religião vem, justamente, tornar mais suportável a tarefa. Oferece a companhia do Senhor, seu amor seu apoio, sua promessa, sua luz, seu projeto seguro… A pessoa religiosa tem de fazer o mesmo que os demais – ser pessoa – , porém conta para isso com a alegria de magnífica ajuda. A religião como Evangelho. Boa noticia.

Ora Deus é amor. Se Deus é amor e se Deus é a origem, intuímos que o amor seja, portanto, a essência da realidade, a ultima palavra da compreensão, o critério definitivo do juízo. Compreende-la seria justamente alcançar o mistério do universo. (grifo meu)

Porém, o cristianismo vivido sofre opressão: são indicadores de uma espiritualidade normal, que está infectada pelo mal. Demasiado legalismo, demasiado temor, demasiada falta de espontaneidade e de alegria na relação com Deus. Desde modo, “doutrinas” tão difundidas como a da predestinação, ou anda, A da concepção jurídica da redenção, ou a versão ingênua, cruel e legalista do pecado original (que teve conseqüências não teve, tem a seguramente continuará tendo a visão da existência humana concreta como duro castigo por uma falta que ninguém cometeu…!)

Se Deus pode evitar o mal e não quer, então, não é bom; se quer e não pode fazê-lo, então não é onipotente. Evita a ofensa irreparável. Por isso, neste ponto, o autor prefere apoiar-se no caráter de Jesus; e seu empenho na assistência e dor humana. Um Deus profundamente implicado na história do ser humano, numa luta sem reservas contra o mal, no qual não pode superar imediatamente, e que por isso sucumbe.

Outro ponto polêmico levantado por Queiruga. A de que Deus , ao criar, pretende unicamente a salvação do ser humano, e que faz tudo quanto esteja a seu companheiro inseparável, o mal, encontra-se “do outro lado” deDeus: na instintividade interna do ser humano, que o mina por dentro, e nas forças obscuras que o assaltam a partir de fora; nos condicionamentos cósmicos e nas pressões sociais. A intenção salvívica de Deus, que a narração simboliza na felicidade paradisíaca, Israel a viu encarnada em toda a sua história de salvação. A Libertação do Egito e vai aumentando e depurando-se na lembrança. Neste aspecto, o autor levanta questões e pressupostos para uma consciência libertadora. Considerando-os fundamentais para crescimento, em busca de uma genuína experiência cristã.

Portanto, o ser humano que prova em si mesmo a potência destruidora do pecado e a própria impotência diante dele, experimenta em Deus a presença poderosa do amor que salva. Na realidade, ser cristão é saber-se redimido, sentir-se salvo; é conhecer a Deus do único modo legitimo e verdadeiro: como aquele que salva, como “Emanuel” (Deus conosco), como Abbá (Pai). Então, o Filho torna-se humano para salvar o ser humano, isto é, para ajudá-lo na tarefa de realizar-se, para potencializar sua impotência, para realizar sua esperança e para preencher sua capacidade de infinito. Jesus vive até o extremo fracasso constitutivo da história de dor da humanidade: lutar para criar o bem e ver, não obstante, como o mal continua proliferando; dar-se como todo o amor aos outros e sentir-se, não obstante, desconhecido, mal compreendido e, as vezes,esmagado exatamente por aqueles a quem se ama. Se, contudo, Jesus persevera até o final, esse é o selo de seu amor, essa é a cifra de sua salvação. Sem a Cruz seria muito difícil convencer o ser humano do amor de Deus, e mais ainda de seu apaixonado interesse por nos salvar. (disse Queiruga e não eu, como disse alguém)

De fato, sem enxerto nenhum, o livro é como som de galhos secos crepitado nesta gigantesca floresta de vozes. Contém uma mensagem contextualizada e serviu para riquíssimas construções. Por enquanto é isso.

Religião: re-leituras

Postado em Espiritualidade, Leitura & Colheita, Pensamentos em Outubro 29, 2008 por fchagas

Vattimo, italiano, socialista, aprecia considerar santo um fato passado: a importância da vinda de Cristo. Rorty, estadunidense, liberal de esquerda, gosta de santificar a esperança de fato futuro: a ampliação pelo mundo de uma generosa sociedade livre e sabiamente igualitária. Não se vê aqui semelhança, nem entre si nem entre eles e outros que se dizem socialistas e liberais de esquerda. Eles são pensadores únicos. Mas há, sim, semelhança entre eles. Ambos acreditam que o que um viu começando no passado e o outro acha que seus descendentes poderiam ver no futuro são a mesma coisa: a idéia de que Deus está querendo deixar de nos tratar como servos para nos tratar como amigos. Vattimo vê isso na Encarnação. Rorty vê isso na Utopia Vaga. Sermos tomados como amigos é sermos considerados como aqueles que não tem de obedecer, mas como aqueles que podem viver sob uma única lei, a do amor.

… se estamos vivendo uma era pós-metafísica, podemos imaginar que um dos pontos de divergência entre religiosos e não-religiosos poderia ser extinto. Qual? A questão da insistência de que há a Verdade, e que esta é a re presentação da Realidade Como Ela É.

Paulo Ghiraldelli Jr . (filósofo, escritor e editor.) prefácio do livro:

Richard Rorty e Gianni Vattimo. O futuro da religião – solidariedade, caridade e ironia