Desde suas origens nos sécs XVI e XVII, a crítica moderna consiste em não confiar cegamente nos textos. Muito bons espíritos, em nossa época, crêem fazer progredir mais a perspicácia crítica, exigindo sempre maior desconfiança. Por força de serem interpretados e reinterpretados pelas gerações sucessivas de historiadores, textos que pareciam outrora portadores de informação real, hoje em dia são suspeitos. Os epistemólogos e os filósofos, por outro lado, atravessam uma crise radical que contribui para o abalo daquilo que outrora se chamava ciência história. Todos os intelectuais, habituados a se alimentarem de textos, se refugiam em considerações desabusadas sobre a impossibilidade de qualquer interpretação precisa.
(René Girard)
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