Minha letra denuncia minha insegurança.
Sinto-me um andarilho sem rumo.
Apático,resisto a indolência,
ofereço amor como produto de consumo.
Cedo descobri que sofro de saudade, de solidão,
da ausencia infinita que fere.
Porém ainda anseio pelos tempos de calmaria
Escrito pelos ventos da paixão que nos uniu.
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Ambulante do amor
Posted in Pensamentos, Prosa e Poesia, Senda da Paixão on Novembro 9, 2009 by fchagasAmar
Posted in Pensamentos, Prosa e Poesia, Senda da Paixão on Junho 12, 2009 by fchagas
“Estar apaixonado é um estado” dizia Denis de Rougement; “amar, um ato.” O casal, quando sobrevive a coabitação, quando nela cresce, permite que passemos desse modo (o amor-paixão: aquele que sofremos) para esse ato (o amor-ação: que fazemos, cultivamos e assumimos). É preciso ser bem jovem ou bem ignorante para não ver nisso um progresso. Estar apaixonado é sentir falta de alguém: I need you; te quiero… Amar é não sentir falta de nada: é fluir e regozijar-se de uma presença, de uma existência, de um amor. Cuidado, contudo, para, entre esses dois pólos, não absolutizar a diferença. Não há a nada mais relativo, nada mais flutuante que nossas histórias de amor. Por força de nossa finitude, há sempre uma falta em nós, sempre paixão ou passividade, sempre dependência, sempre uma criancinha que busca um seio ou um amor. E quase sempre bastante força ou alegria para dá-lo, ao menos um pouco. “a criança só sabe pegar” dizia Svami Prajnânpad, “é o adulto que dá.” Isso pelo menos indica o caminho. Comumente, começamos por amar aquele ou aquela que não temos, que nos falta, que gostaríamos de possuir e conservar; depois aprendemos a nos regozijar, no melhor dos casos, com que ninguém jamais possuirá, que é a existência do outro, a liberdade do outro, o amor do outro… o casal não é o contrario da solidão: é um modo de vivê-la juntos, sem negá-la ou renegá-la, sem aboli-la ou atraí-la. “na medida em que somos nós” , escrevia Rilke,” o amor e a morte se aproximam. Também a solidão e o amor, na medida – sempre finita – em que vivemos.
Que tudo isso começa na sexualidade –no mais obscuro do homem e da mulher, no mais animal, no mais bestial, e nem por isso menos humano – é o que ninguém ignora e que constitui como que um prazer a mais, um distúrbio a mais, que nos fascina, que nos assusta, que nos move e que nos comove. Maravilhosa obscenidade dos corpos. Alegre repetitividade do desejo. Perturbadora intimidade das carícias. Esplendor da volúpia. E tanta violência, e tanta doçura, e tanta ternura! Poder de fluir. Poder de se regozijar. O sexo é uma noite e um sol. O amor – quando amor há – é sua luz e seu repouso.
André Comte-Sponville. A vida humana. p. 44
Uma carta de amor
Posted in Prosa e Poesia, Senda da Paixão on Fevereiro 3, 2009 by fchagas
“Se a alma silenciar a carne por um ato de violência, a carne se vingará infectando-a secretamente com um espírito de desforra.”
Thomas Merton
Nostálgico. Quero escrever uma carta de amor. Ridícula! Declara Álvaro de Campos “todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas…”. Porém, eu, inspirado pelo momento presente; único, existente, quero falar da ausência. Da separação do corpo que me falta. Da imagem tímida que permeia meu coração e borrifa meus pensamentos. Espero encontrar em ti cumplicidade. Inquieto-me. Estou em dúvida quais palavras devo usar; pois ainda não estou convencido de que minha argumentação poderá ser produtiva. Pessoalmente minha persuasão é insuficiente. Mas ainda sim, rejeito qualquer insinuação de desencanto. Estou ciente de que não há fórmula segura sobre o amor. Não há pessoa neste mundo que não possa nos surpreender. O amor, sim. Por isso guardo nossas lembranças. Acredito nas possibilidades do amor. Amamos porque amamos. Isto basta! O que vivemos não são, apenas, tentativas. Luto para isso não acabar. Luto pela vontade de continuar tentando. Quero correr em busca dos sonhos… Mesmo que um dia não consiga mais correr, quero continuar caminhando. Continuarei mesmo rastejando… “Nunca desista de seus sonhos”. Disse Martin Luther King Jr. A frase não é minha, mas incendeia meu coração e rega minhas lembranças.
Com tudo isso florescendo dentro de mim, sinto-me em boa companhia. Lembro-me da cena literária de Shakespeare. No momento, parece oração!
- Oh! A esquecer-me ensina o pensamento.
- Dá liberdade aos olhos; examina outras belezas.
Esse é o meio certo de mais consciente me tornar ainda de sua formosura em tudo rara. Essas felizes máscaras que as frontes beijam das jovens belas, sendo pretas pensar nos fazem que a beleza esconda. Quem chegou a cegar. Jamais se esquece da jóia rara que perdeu com a vista. Mostrai-me uma mulher de inexcedível formosura; para algo servir, senão de sugestão para que eu leia quem a excedeu em tanta formosura? Não, nunca hás de ensinar-me o esquecimento.
Sim. “O amor não começa e termina do modo que pensamos. O amor é uma batalha, o amor é uma guerra; o amor é crescimento contínuo.” disse James Baldwin. Alimento-me dessa fonte diariamente. Sofro quando vêm à tona lembranças fortes do passado. As insônias, por vezes, são geradas pela instabilidade dos sentimentos. Não tenho vergonha de desejar. Entendi, há pouco tempo, que a maturidade não requer conformismo. Como ideal e opção sou militante inveterado na busca da felicidade. Vivo, quase, monasticamente. Todavia, possuo uma vida prática e sensata. Não permito que me roube o direito ao devaneio e o pensamento livre, eles são legítimos. Jamais permitiria alguém introduzir-me em outro mundo diferente. Quero andar nessa trilha “seguir desfazendo virgindades que ainda carrego. Quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.” E perceber a alma do poeta.
No surgir da Doce Manhã. No florescer de novas descobertas , quero sentir, ainda, o efeito do primeiro perfume inaugurou a nova fase. Ancorado em nosso baú de lembranças tenho prazer em paginar o álbum, revisar as folhas da memória. Ah como seria bom se pudesse compartilhar minha alegria e reviver os registros de nossas vidas. Nele, às vezes, você pousa de menina-moça. Mas seu andar cadenciado evidencia menina-mulher.
A dor de amar
Posted in Prosa e Poesia, Senda da Paixão com as tags paixão;amor, poesia on Dezembro 8, 2008 by fchagasUma voz entrecortada, quase um sussurro, e carregada de ansiedade, pergunta: pode me ouvir?
- respondo. Sim, claro.
Na mesma hora, tive uma estranha sensação, como um insith tivesse plugado na tomada elevado à potência máxima.
Houve alguns minutos de silêncio depois da última frase…
Uma preocupação a perturbava. Tentei iniciar uma conversa, uma prosa, afim de dizer alguma coisa, perguntei se poderia ajuda-la.
- Sinto a dor do amor invadir meu peito - explicou, com a dicção acelerada pela angustia. A dor do amargo sabor… ouvi seu relato em silêncio, quieto, sem fazer nenhum comentário mental, sem esboçar nada que a interrompesse.
“Estou profundamente ressentida com algo que não consigo perceber o que é. Não sei o que fazer… um rio corre dentro da minha cabeça como um fluxo de pensamento involuntário regado à emoções. São lembranças, interpretações.”
Facilmente diagnostico falta de integridade, de egoísmo, de amor.
“Preciso disseminar a compulsão pela vingança. Foi dramático. Ainda não encontrei respostas, apenas me senti diminuída como pessoa.”
Amar devia ser simples, mas não é. Percebi que sou “Somos reféns da sorte,” porque na busca da satisfação no amor em “sermos alguém de alguém” é complexo. Dostoiévski tinha razão quando disse que “o inferno é o sofrimento causado pela nossa incapacidade de amar”. Quando amamos ficamos vulneráveis à dor do amor. Quem ama precisa estar disposto porque o amor é intenso. Ao contrario das coisas efêmeras, pequenas.”
Ela falou por uns 10 minutos. Permaneci ali, pensando e escutando.
De repente, ela se calou.
E pôs fim à história.
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O diagnóstico do pensador
Posted in Senda da Paixão on Setembro 9, 2008 by fchagas“A Pessoa deve ter bastante confiança em si para ter aventuras e igualmente
bastante dúvida de si para desfrutá-las.” G. K. Chesterton.
Passei um longo tempo sentado na varanda. Deixo cair ligeiramente a cabeça com a inocente ideia de organizar melhor os pensamentos. Ali permaneci imóvel em profunda meditação - tempo suficiente para ficar um bom momento anestesiado pelo cansaço. Tarde desperto com o coração acelerado. Uma imagem cria formas quase imperceptível… Talvez fruto da imaginação fértil, idealizo ter visto alguém.
Ao longe, vejo a ponte emoldurada por sentimentos, exalando seu cheiro como frutos maduros colhidos à mão. O horizonte se avizinha. Quero continuar me abastecendo dessa expectativa da doce manhã. Exijo ao menos uma parceira na construção dessa surpresa.
….Quero ter coragem para desenhar nosso amor. Almejo ter em mente um projeto impensável, intrigante e arriscado. Preciso ter ousadia de assumir riscos, contudo, sem a preocupação de me tornar inconseqüente. Quero, e, cogito de forma bem singular, ainda, inspirar seu sorriso. Ah, quero usufruir da alegria contagiante, da felicidade, da beleza, da vida recitada nos versos e prosas dos poetas. Toda manhã urde o mapa dessa vida celebrante; sinalizando a introdução ao doce caminho com pontos definidos do descanso. Por fim, intenso, marcados pela esperança desse novo ciclo. Todavia, aconteça ou não, a expectativa, por si só, já é maravilhosa.
Memória ativada
Em seguida, ainda levado pela imaginação, percebo que minha cicatriz voltou a sangrar… Meus medos do passado lançaram insits da carência afetiva. Sim, por enquanto, as razões, desconheço. Tenho medo dos meus sonhos perpetuarem-se em clausura, sem uma oportunidade presente. Pois há um projeto inconsciente, não importa o tempo ou lugar, preciso realizar. Mesmo diante de situações adversas, vivo acordado em sonhos. Estou plenamente ciente de que plantei jardins e colhi flores. Sinto fortes convicções originárias do passado, no entanto poderá haver situações de total impotência em que meus desejos foram, simplesmente, frutos da imaginação. Contudo, neste caso, confirmando-se, logo rejeitarei. (direi, ardentemente, não!…) Se essa sensação persistir, mesmo infiltrando-se a contragosto, não aceitarei esta condição de moribundo por causa da ausência do seu amor.
Lembro-me, finalmente, de um momento marcante… Quando estava olhando os detalhes de seu rosto… Um tipo de meiguice contrastando com uma beleza mestiço-exótica que exalava sensualidade. Efervesceu de repente e ambos liberamos nossas paixões com fulgor inimaginável. Apesar do inesperado, senti o doce ardente da paixão.
Neste encontro houve momentos de partilha. Um tipo de sentimento transeunte… penso que Beethoven estava certo, no momento, a música era indispensável – é sabido que a melodia derrama o cântico do amor sobre os amantes… Enfim, foi apenas um momento… algo melhor estava por vir.
(…)
Ora você fugiu! O que teria acontecido? Percebo nas entrelinhas sua permanência ir além da ausência. A expectativa foi corrompida. Algo essencial ainda estava faltando e, por esta razão, ninguém pode substituir. Então, julgo existir horas propícias para concretizar nossos momentos. Acordei advertido com uma frase forte irrenunciável! Beatrice , “Evitá-la é preencher o espaço”!
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