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Papel da teologia

Postado em Vibrações da Alma em Novembro 11, 2009 por fchagas

Numa tentativa de arejar meus pensamentos, tornei  algumas percepções mais claras sobre o papel da teologia. Considero imperativo que o cristão desempenhe a práxis reflexiva a respeito de sua relevância na comunidade, a fim de ser sujeito capaz de mudar a realidade que o cerca.

Eis dois textos para nossa reflexão. Meu objetivo é que, assim sendo, estimule-o a re-significar conceitos como elemento indispensável a caminhada cristã,  pois assim resgatará sua própria necessidade.

“A reflexão sobre o problema fundamental da exclusão social, precisamos nos debruçar rapidamente sobre o papel da teologia na atual situação econômico-social. Vamos abordar essa questão a partir de duas perguntas:

a) cabe à teologia e às Igrejas cristãs  assumir estas questões macro-economicas?;

b) se sim, o discurso teológico sobre esse tema tem como destinatário somente as comunidades cristãs e pessoas interessadas nos posicionamentos dos cristãos ou tem uma relevância real no debate que se dá no mundo acadêmico e político?”

(Jung Mo Sung)

“Se o mistério da religião é o mistério do desejo, e se o mistério do desejo se revela como poder, o poder se transforma na nova religião (…) O lugar do desejo é tomado pela ilusão do poder: a ilusão de que o poder é capaz de produzir o que o coração deseja. Os profetas denunciaram esta ilusão e lhe deram o nome de idolatria. Um ídolo é um objeto feito pelas mãos do homem (práxis) ao qual se atribui o poder para realizar os desejos do coração.”

(Rubem Alves)

Esteja alerta aos sentimentos

Postado em Vibrações da Alma, Vida Cristã em Novembro 7, 2009 por fchagas

Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento.

(Eclesiastes 1:16)

Os sentimentos formam a trama de nossa vida. Assim como os sentimentos agradáveis podem erguer o ser humano. Os sentimentos desagradáveis são forças ativas que dilaceram que torturam o individuo – desumanizam. Tal olhar pessimista, diriam alguns, é o eixo que guia a pessoa. Existem muitas pessoas que estão sempre esperando pela próxima coisa contra a qual reagir para que possam se sentir irritadas ou perturbadas – e nunca demora muito até que encontrem o que procuram. A resistência é uma contração interior, um endurecimento da concha do ego. Permanecemos fechados. Seja qual for à ação que adotemos num estado de resistência interior (que podemos também chamar de negativismo), ela criará mais resistência externa, e a vida não nos beneficiará. Se as persianas estiverem fechadas, o sol não conseguirá entrar.[1] Tenho a impressão que os sentimentos acompanham certos ritmos, quando impelidos também, mais profundamente, por um instinto. Pela decisão de amar. Isto, reflete-se em todos os aspectos da vida.

À luz de nosso entendimento vivemos virando a pagina, e administrando emocionalmente essas diferentes faces indissociáveis em nosso dia-a-dia. Quando amável; acolhedor, enriquece e alimenta nossa vida, transforma profundamente nossa existência. Porém quando negativos; tornam seres humanos sem sombra, sem cor, sem beleza.

Algumas circunstâncias provocam sentimentos fortes. Agem como aspirador estremecendo a base construída. Com razão Adélia Prado escreve sobre essa pluralidade nas emoções:

“Nem bem o sol se pôs e não estou mais certa, parece que alguém me deve uma conta, pequena, mas sobre a qual devemos conversar para que nos encaremos sem ressentimentos. Quero ponto final, mas só consigo dois-pontos. Devo perdoar-me o ser tão adversativa.” [2]

O que este pensamento sugere efetivamente, talvez seja o nosso grande desafio; buscar equilíbrio, clareza, harmonia e principalmente interdependência nesta lista de opostos. E conviver com alguém que tem dificuldades de lidar com suas próprias emoções. Nós temos sentimentos que são expressos pelas emoções. Por fim, exercitar essas prerrogativas do pensar bem traçado entre as razões do sentimento. E, portanto construir um ambiente mais saudável deve ser o estímulo para desejar uma realidade ainda melhor para a sua vida.


[1] Eckhart Tolle – Um novo mundo – o despertar de uma nova consciência.

[2] Adélia prado – O homem da mão seca.

A humanidade de Jesus

Postado em Vibrações da Alma em Outubro 5, 2009 por fchagas
Tenho medo desta hora!
Minha alma está triste até a morte.
Então, não pudestes vigiar uma hora comigo?
Judas, com um beijo trais o Filho do Homem!
Por que me bates?
(Jesus)

… Liderança bíblica sempre implica um processo em que se é liderado.

(Martin Buber)

Mudanças

Postado em Vibrações da Alma em Setembro 21, 2009 por fchagas
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos  sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?
(Cecília Meireles)

A revelação de Deus

Postado em Vibrações da Alma em Agosto 21, 2009 por fchagas

A revelação de Deus “a partir de dentro”. Temos de dar o último passo importante. Se Deus é secreto dinamismo de tudo o que existe; se sempre estamos em Deus; se Deus está intimamente ligado (religação) ao ser humano, então temos de alterar nossa ideia de revelação ou de comunicação de Deus com o homem.

Novamente, temos de evitar imaginar uma separação entre Deus e o homem: aqui, o homem; lá, “fora” e “acima”, Deus. Temos de corrigir a concepção muito dinfundida da revelação como uma série de intervenções de Deus desde lá “fora” e de “cima”.  Essa idéia de revelação, com esse pano de fundo imaginativo, como muito bem disse A. Torres Queiruga, leva consigo uma concepção extrínseca, “milagrosa” e isolada da comunicação de Deus. Parece, como diz Zubiri, que revelação quer dizer falar de Deus ao foro interno e solene. Melhor, é preciso entender a manisfestação de Deus a um ser humano “implantado em Deus”. Uma presença real e efetiva de Deus como realidade pessoal no íntimo de todas as pessoas. Tudo muito normal dentro de sua enorme profundidade.  Deus é uma presença que nos envolve. Só podemos pensá-la como pessoal.

José Maria Mardones. Matar nossos deuses – em que devemos acreditar?  p.144