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A cultura do consumo em terras tupiniquins

Postado em Vibrações da Alma em Novembro 23, 2009 por fchagas

Gilberto Safra ensina-nos que o homem emerge em si mesmo, a fim de que possa acontecer e iniciar o processo de inicialização (culturalmente) a partir de um lugar, não um lugar físico. Ele (homem), em seu nascimento não garante uma participação no mundo ou ambiente favorecido. Partindo dessa premissa, todos nós compartilhamos dessa realidade para vivermos integralmente. Ou seja, a pessoa precisa do próximo para ver a si mesmo. Isto, porém, nos leva ao seguinte questionamento. Qual? O mundo partilhado real é diferente do idealizado.

Da mesma forma Júlio Zabatiero, no prefacio do livro ética cristã, diz: “Numa sociedade pluralista, como a em que nós vivemos, é fundamental a existência de valores éticos definidos que norteiem a conduta dos cristãos, de modo que venham a oferecer um modelo de vida alternativo à sua sociedade. No meio evangélico há diferentes propostas éticas, quer conscientemente elaboradas, quer não: todas querendo a aprovação dos cristãos, reivindicando serem bíblicas.” Logo, é uma construção de todos e elos que se juntam.

Desde os primeiros passos da minha fé cristã, escuto declarar que a igreja é um organismo vivo e, portanto, em seu caráter têm a responsabilidade de transformar e influenciar a sociedade. Caso contrário, perde sua característica. Por isso, gostaria de discorrer e acentuar esse assunto trazendo dois textos:

A lógica do capitalismo é criar necessidades, para então satisfazê-las. Barbara Axt

Na nossa cultura, o consumo se tornou a medida de uma vida bem-sucedida da felicidade e da decência humana. Com isso, a noção de limites para os desejos humanos foi apagada e se instaurou a idéia de que todos têm o direito e a obrigação de realizar todos os seus desejos de consumo. Dessa forma, nenhuma quantidade de aquisição e sensações emocionantes tem possibilidade de trazer satisfação esperada, pois não há um padrão de consumo a ser mantido na medida em que o padrão desejado, a linha de chegada, avança junto com o corredor, e as metas permanecem continuamente distantes. São inseguranças, frustrações e medos dessa corrida sem vencedores finais que constituem esses demônios interiores da cultura de consumo.

Só que na mentalidade de fortaleza sitiada – tomada visível em condomínios fechados, bairros exclusivos, tentativa de construir muros em volta das favelas, etc. – , os demônios interiores são projetados para fora na figura dos inimigos que lhes ameaçam. Nesta lógica, “os excluídos do jogo’ (os consumidores falhos) são exatamente a encarnação dos ‘demônios interiores’ peculiares à vida do consumidor.” “cada vez mais, ser pobre é encarado como um crime; empobrecer, como produto de predisposições ou intenções criminosas – abusos de álcool, jogos de azar, drogas, vadiagem e vagabundagem. Os pobres, longe de fazer jus a cuidado e assistência, merecem ódio e condenação – como a própria encarnação do “pecado”. BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 57, 59 Citado por Sung J. M. Sementes de esperança.

“A sociedade do progresso rápido, a sociedade capitalista, é filha legítima do demônio.” Fernando Pedreira

A revista ultimato trouxe uma estatística bastante informativa: Os 10% mais ricos do Brasil faturam 68 vezes mais que os 10% mais pobres. A transferência de 5% da renda dos mais ricos para os mais pobres poderia tirar da miséria 25 milhões de pessoas (15% da população). São Paulo é a única cidade do mundo que tem duas lojas Montblanc. O Brasil é o segundo mercado de helicópteros e o único país do mundo onde a Cartier vende a prazo. A marca italiana Diesel escolheu São Paulo para abrir seu segundo hotel, depois de Miami.

Como salvar a vida de 900 mil crianças até 2015

Embora tenha havido uma ampla redução da extrema pobreza no mundo nos últimos 25 anos, mais de 1 bilhão de pessoas ainda vivem com menos de 1 dólar por dia (menos de 70 reais por mês).

Chega a quase 300 bilhões de dólares o que os Estados Unidos estão gastando com as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Com 25 milhões de dólares por ano, seria possível reduzir bastante a desnutrição nos países mais críticos da África e da América Latina e, com isso, salvar a vida de 900 mil crianças até 2015.

Uma guerra é capaz de destruir em horas o que levou anos ou décadas para ser desenvolvido.

A pobreza faz com que 44% da população da América Latina viva em favelas ou bairros precários, que só oferecem condições mínimas para sobreviver.

Em pleno século 21, a fome ceifa 5 milhões de crianças todos os anos (a cada segundo morre uma criança de fome). Quando não matam, a desnutrição e a fome causam muitos sofrimentos, inclusive dor e deficiências físicas e mentais, na maior parte das vezes para sempre. O mercado de luxo movimenta mais de 200 bilhões de dólares por ano, e este montante pode chegar a 1 trilhão de dólares daqui a cinco anos. (1)

(1)Ultimato: Dinheiro, consumismo e luxo: demônios vestidos de branco. nº 298, Jan/Fev. 2006

Papel da teologia

Postado em Vibrações da Alma em Novembro 11, 2009 por fchagas

Numa tentativa de arejar meus pensamentos, tornei  algumas percepções mais claras sobre o papel da teologia. Considero imperativo que o cristão desempenhe a práxis reflexiva a respeito de sua relevância na comunidade, a fim de ser sujeito capaz de mudar a realidade que o cerca.

Eis dois textos para nossa reflexão. Meu objetivo é que, assim sendo, estimule-o a re-significar conceitos como elemento indispensável a caminhada cristã,  pois assim resgatará sua própria necessidade.

“A reflexão sobre o problema fundamental da exclusão social, precisamos nos debruçar rapidamente sobre o papel da teologia na atual situação econômico-social. Vamos abordar essa questão a partir de duas perguntas:

a) cabe à teologia e às Igrejas cristãs  assumir estas questões macro-economicas?;

b) se sim, o discurso teológico sobre esse tema tem como destinatário somente as comunidades cristãs e pessoas interessadas nos posicionamentos dos cristãos ou tem uma relevância real no debate que se dá no mundo acadêmico e político?”

(Jung Mo Sung)

“Se o mistério da religião é o mistério do desejo, e se o mistério do desejo se revela como poder, o poder se transforma na nova religião (…) O lugar do desejo é tomado pela ilusão do poder: a ilusão de que o poder é capaz de produzir o que o coração deseja. Os profetas denunciaram esta ilusão e lhe deram o nome de idolatria. Um ídolo é um objeto feito pelas mãos do homem (práxis) ao qual se atribui o poder para realizar os desejos do coração.”

(Rubem Alves)

Esteja alerta aos sentimentos

Postado em Vibrações da Alma, Vida Cristã em Novembro 7, 2009 por fchagas

Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento.

(Eclesiastes 1:16)

Os sentimentos formam a trama de nossa vida. Assim como os sentimentos agradáveis podem erguer o ser humano. Os sentimentos desagradáveis são forças ativas que dilaceram que torturam o individuo – desumanizam. Tal olhar pessimista, diriam alguns, é o eixo que guia a pessoa. Existem muitas pessoas que estão sempre esperando pela próxima coisa contra a qual reagir para que possam se sentir irritadas ou perturbadas – e nunca demora muito até que encontrem o que procuram. A resistência é uma contração interior, um endurecimento da concha do ego. Permanecemos fechados. Seja qual for à ação que adotemos num estado de resistência interior (que podemos também chamar de negativismo), ela criará mais resistência externa, e a vida não nos beneficiará. Se as persianas estiverem fechadas, o sol não conseguirá entrar.[1] Tenho a impressão que os sentimentos acompanham certos ritmos, quando impelidos também, mais profundamente, por um instinto. Pela decisão de amar. Isto, reflete-se em todos os aspectos da vida.

À luz de nosso entendimento vivemos virando a pagina, e administrando emocionalmente essas diferentes faces indissociáveis em nosso dia-a-dia. Quando amável; acolhedor, enriquece e alimenta nossa vida, transforma profundamente nossa existência. Porém quando negativos; tornam seres humanos sem sombra, sem cor, sem beleza.

Algumas circunstâncias provocam sentimentos fortes. Agem como aspirador estremecendo a base construída. Com razão Adélia Prado escreve sobre essa pluralidade nas emoções:

“Nem bem o sol se pôs e não estou mais certa, parece que alguém me deve uma conta, pequena, mas sobre a qual devemos conversar para que nos encaremos sem ressentimentos. Quero ponto final, mas só consigo dois-pontos. Devo perdoar-me o ser tão adversativa.” [2]

O que este pensamento sugere efetivamente, talvez seja o nosso grande desafio; buscar equilíbrio, clareza, harmonia e principalmente interdependência nesta lista de opostos. E conviver com alguém que tem dificuldades de lidar com suas próprias emoções. Nós temos sentimentos que são expressos pelas emoções. Por fim, exercitar essas prerrogativas do pensar bem traçado entre as razões do sentimento. E, portanto construir um ambiente mais saudável deve ser o estímulo para desejar uma realidade ainda melhor para a sua vida.


[1] Eckhart Tolle – Um novo mundo – o despertar de uma nova consciência.

[2] Adélia prado – O homem da mão seca.

A humanidade de Jesus

Postado em Vibrações da Alma em Outubro 5, 2009 por fchagas
Tenho medo desta hora!
Minha alma está triste até a morte.
Então, não pudestes vigiar uma hora comigo?
Judas, com um beijo trais o Filho do Homem!
Por que me bates?
(Jesus)

… Liderança bíblica sempre implica um processo em que se é liderado.

(Martin Buber)

Mudanças

Postado em Vibrações da Alma em Setembro 21, 2009 por fchagas
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos  sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?
(Cecília Meireles)