As “Dimensões religiosas das condições humana” no judaísmo devem ser buscadas dentro da complexa teia de camadas múltiplas da sua literatura tradicional, que se inicia com a coleção de narrativas bíblicas, leis, profecias e escritos de sabedorias, a maior parte dos quais editados nos séculos V e VI a.C, e se estende pelas narrativas, leis, comentários, visões místicas, instruções e orações que foram postas no presente. A categoria condição humana não é nem nativa ao pensamento tradicional judaico, nem uma questão fundante, geradora que, na literatura religiosa seja tratada independente. Assim, suposições e análises sobre a condição humana deverão ser desentranhadas da discussão de uma variedade de tópicos que são importantes à tradição, incluindo Deus criador e soberano no mundo; a revelação de Deus na bíblia e os mandamentos (coletivamente chamados de torá) que guiam o viver humano; a resposta humana de Deus, mediante a fidelidade, obediência e estudo da torá; responsabilidade e fraqueza humana em fase da tentação; desobediência humana a Deus mediante o pecado; e a justiça; misericórdia de Deus na punição do pecado¹.

¹ A natureza humana e a condição humana têm sido tratadas em uma variedade de sínteses do pensamento tradicional judeu, mas a solução e o problema é comumente influenciado, fortemente, pelas preocupações modernas. (Ver Samuel Belkin, in his image: the Jewish philosophy of man as expressed in Rabbinic tradition (westpot, conn.: Greenwood Press ,1960) ;George Foot e Moore,Judaism in the first Centuries of the Christian Era (3vols.: Cambridge: Harvard University Press, 1927-30), vol.I 445-552, trata o homem, o pecado e expiação sob uma variedade de tópicos tomados da teologia Sistemática Cristâ, assim como fez Kaufman Kohler, Kewish Theology Systtetically and historically (new York: Ktav,1968; 1968 original de 1918). Ainda que E. E. Urback, The Sages: Their Concepst and beliefs (2 vols.: Jerusalém: Magnes,1975 ) e Solomon Schechter, Some Aspcts of Rabibinic Thelogy (New York: Macmillan,1909) usem categorias rabínicas originais, a organização desses tópicos é fortemente influenciado pelo ocidente moderno.

Uma seleção de temas salientes e passagens, relacionados à condição humana, proporcionarão o material para uma comparação de visões religiosas sobre esta condição. Textos ilustrativos serão retirados dos períodos do Segundo templo, rabínico primitivo, e moderno. O Período do Segundo Tempo (séc. V. a. C até séc. I d.C) assistiu ao desenvolvimento de narrativas, leis comentários, visões apocalípticas, orações e instruções baseadas na tradição bíblica. A sabedoria de Bem Siric, também chamada de Sirácide ou Eclesiásticos, incorpora muitos temas do judaísmo do Segundo templo e será tratado primeiro. Depois da destruição do Templo de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C, tradições anteriores alcançaram uma importante sínteses nos trabalhos legais e exegéticos da literatura rabínica inicial (Séc. II a VI d.C.). Algumas poucas passagens relevantes representarão esta literatura. Limitações de espaço fazem com que a rica variedade de comentários, códigos, reflexões místicas, ensaios filosóficos, exortações morais e tratados instrucionais, compostos durante o período medieval e começo do moderno, sejam omitidos. Entretanto, uma breve sinopse das respostas conterrâneas judaicas ao Holocausto, a destruição de seis milhões de judeus sob Hitler, e a dizimação do judaísmo europeu darão algum senso de vitalidade da tradição hoje. Esses textos seletos representam uma entrada neste sistema simbólico auto-referencial, firmemente interligado, em que narrativas leis oráculos e imagens construídas e conflitantes um com o outro, funcionam como um todo imaginativo dinâmico e intelectual. ²

² Para uma análise de como os símbolos trabalham e significam, ver Robert C. Neville, The, The Trth of Boken Symbolos (albany: State University of New York Press

Autor Anthony J. Sldarini com Joseph Kanofsky

Anúncios