Religião,“O solene desvelar dos segredos ocultos do homem, a revelação dos seus pensamentos mais íntimos, a confissão pública dos seus segredos de amor”. Ludwig Feuerbach 

Por volta de 1977 o D. M. Lloyd Jones,  iniciou sua palestra comentando: “o estado e as condições da religião eram as coisas mais importantes para eles, não porque se haviam retirado do mundo, mas porque acreditavam que a religião determinava  e regulava o estado da sociedade”, Na ocasião referia-se  a causa  de Cristo assumida por todos aqueles que reconheciam que, por as mãos no arado e servir a Deus,  era entender um chamado de vocação e defender uma causa. “Não posso conter-me e deixar de colocar essa questão sumanamente importante mesmo nestes dias, porque  o que faz do cristão um ser à parte e o que o torna diferente de os demais é o fato de que ele vê tudo do ponto de vista da religião, e nessa direção busca explicação para tudo.” (1) 

Depois do tempo passado, tenho a impressão que nada mudou. A prática da religião possui respostas contraditórias. Não me atrevo a definir a pratica correta, e a razão disso é que ainda não entendi completamente sua origem. De acordo com o texto acima, o tempo e as indefinições ainda persistem: Vejam, por exemplo, esse outro texto que li recentemente:  

O termo espiritualidade conquistou ampla aceitação em um passado ainda recente, como a forma referida para designar os aspectos relativos às práticas devocionais de uma religião e, mais especificamente, aqueles aspectos voltados as experiências individuais dos fiéis. Entre os termos mais antigos, ainda encontrados na literatura acadêmica em relação a esse aspecto da teologia, há a utilização das expressões “teologia espiritual” e “teologia mística.” O uso da expressão “mística” para referir-se à dimensão espiritual da teologia. (em contraste com uma dimensão puramente acadêmica) remonta ao tratado (On mystical  theology ) Sobre teologia mística, escrito no século VI por Dionísio, o areopagita. Os termos modernos “espiritualidade” e “misticismo” remontam à França do século XVII, de forma mais específica aos círculos um tanto elitistas da alta sociedade ligada à figura de Madame de Guyon. As expressões francesas spiritualité e mysticisme eram ambas usadas em relação ao imediato conhecimento interior do divino ou do sobrenatural, sendo aparentemente tratadas quase como sinônimas na época. Desde esse período, ambos os termos foram resgatados e postos novamente em uso, embora alterações em suas associações tenham levado a um certo grau de confusão quanto ao significado preciso, havendo alguns escritores sugeridos que ambos eram apenas maneiras diferentes de falar sobre um relacionamento pessoal autêntico com Deus, ao passo que o misticismo deve ser entendido como um tipo especial de espiritualidade, que enfatiza particularmente o aspecto de uma experiência pessoal , direta e imediata com Deus. Muitos escritores atuais têm evitado o uso do termo misticismo, por acreditar que tenha se tornado um termo confuso e de pouca utilidade. Portanto, preferir-se o termo “espiritualidade” dentre muitos outros que são encontrados nos documentos antigos, entre os quais se incluem os termos “teologia mística”, “teologia espiritual” e “misticismo”.  

 A espiritualidade, com freqüência, é contraposta a um enfoque puramente acadêmico, objetivo ou impessoal em relação à religião, que somente identifica e enumera as principais crenças e práticas de uma religião, não tratando da forma como os adeptos dessa religião experimentam e praticam a fé. O termo resiste a uma definição mais precisa, em parte devido à variedade de sentidos com que é empregado e em parte devido à controvérsia, existente na comunidade acadêmica especializada nessa área, quanto a forma como o termo deve ser utilizado. Contudo, fica claro que entende a espiritualidade com Deus, de modo geral, como algo relacionado a uma experiência com Deus é a transformação de vida resultante dessa experiência. Assim a espiritualidade está ligada a viver uma experiência com Deus e a vida de oração, assim como ação daí derivada; no entanto, ao mesmo tempo, não pode ser concebida isoladamente, desvinculada dos dogmas teológicos que representam os fundamentos para essa vida. Thomas  Merton (1915 – 1968), um monge trapista que teve grande influência sobre a espiritualidade moderna, no final do século XX, deixa claro esse ponto. Ele afirma que existe um vínculo bastante próximo entre teologia e espiritualidade, que deve ser declarado e reconhecido para o bem de ambas:  

“A contemplação, longe de opor-se a teologia, representa, na verdade, o resultado natural de seu processo de aperfeiçoamento”. Não devemos separar o estudo da verdade revelado por Deus da experiência contemplativa dessa verdade, como se fossem dois fatores completamente distintos. Ao contrario, ambos representam simplesmente os dois lados da mesma moeda. A teologia dogmática e a mística, ou a teologia e a espiritualidade, não devem ser postas em duas categorias mutuamente excludentes, como se o misticismo fosse apenas para mulheres piedosas e o estudo teológico voltado somente para homens práticos, porém, lamentavelmente, carnais. Essa separação enganosa talvez seja a explicação para muito do que, na verdade, está faltando tanto a teologia quanto à espiritualidade. Ambas pertencem, contudo, uma à outra. A menos que sejam unidas, não há fervor, nem vida, nem valor espiritual na teologia; assim como não há conteúdo, nem sentido, nem um propósito seguro na vida contemplativa. (2) 

Com isso, entendo, devido à onda das práticas litúrgicas, o culto ao sagrado, a valorização do ritual, outras, com ênfase emocional durante o culto, por várias igrejas evangélicas, tornaram-se paradoxal. Sem duvida, este assunto (teologia mística ou espiritualidade) precisa ser explorado.  

Dizia Dietrich Bonhoeffer: “O movimento que se iniciou no século XIII na direção da autonomia do homem… completou-se de certa forma em nossa época. O homem aprendeu a lidar com todas as questões de importância sem recorrer a Deus como uma hipótese explicativa…”.    

(1)    D.M. LLoyd Jones, Discernindo os tempos (2)    Alister E. Mcgrath, Teologia.

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