Queridos, bom dia!

Em minha conversa virtual com Lou Mello – o cara que gosta de abóboras, e guarda na gruta– disse pra ele:

Meu caro amigo, quero postar aquele texto do cristianismo, achei interessante suas proposições! Pelas sílabas embaladas, percebi um riso de aprovação. …Pode ser impressão, mas vale a imaginação. peguei o mouse e dei dois clickes registrando e confirmando.

Pois bem, como fui atendido sem restrições, não perdi tempo e encaminhei-o, entenda-se, vibrações da alma. Penso que uma conversa sobre teologia de – quintal- como ele mesmo define, começaria mais ou menos assim…

Meu cristianismo de cada dia 

Já narrei, por aqui, a história de um colega de seminário que perguntou ao nosso professor, o Dr. Shedd, se Jesus não teria sido um mito. Em trinta anos, foi a única vez que o fundador da “Edições Vida Nova” perdeu sua lendária longanimidade.

Ninguém aceita uma idéia ridícula dessas. Imagine considerar Jesus um mito. Mas é muito interessante verificar como todas às vezes que mexemos com os mitos em torno dele, as pessoas agem defensivamente e em função da preservação do mito. Isso me lembra aquela história contada pelo David Wilkerson (fundador do ministério de recuperação de jovens drogaditos chamado Desafio Jovem do que veio a arrepender-se, posteriormente). Segundo ele, seu avô chegou à cidade, no domingo e na hora do culto. Estavam todos na Igreja e o pai convidou-o à pregar. O velho tirou as botas cheias de barro e as colocou sobre o púlpito, para horror da congregação.

Criamos muitas falácias em torno do Nazareno. Jesus salva, Cristo salva, Jesus é fiel, Vencedores de Cristo, Vencendo vem Jesus, Jesus o salvador e vai por aí. Não estou questionando as doutrinas da salvação e nem organizações. O fato é que o mundo de hoje é uma competição global. De um lado estão os vencedores e do outro os perdedores. Só não sabemos quem é quem. Por enquanto, a turma da grana, do corpo sarado, dos diplomas, do poder e da arrogância está na frente.

Entretanto, Jesus pode virar o jogo no fim do segundo tempo. Se a bíblia estiver certa, ele está do outro lado, onde estão os duros, os feios, os doentes, os incautos, os fracos e humildes e teria vindo para viver aquele horror no calvário por causa desses. A proposta desse salvador subversivo não é nada atraente. Envolve seguir o caminho da cruz e morrer, para vencer a morte. Papagaio!

Para não ficar por baixo, a turma da bufunfa inventou um Jesus mais metrosexual que transige mais com a riqueza, (segundo suas próprias palavras, dificilmente um rico entraria no Reino de Deus), usa óculos escuros e modelitos de grife, caneta Mont Blanc de ouro, carro do ano, etc… e vive em Igrejas burguesas com multimídia, notebook e pesado equipamento de som. Ele também é aí, um Cristo cult leitor de pensadores existencialistas como Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Arthur Schopenhauer, Søren Kierkegaard, Friedrich Nietzsche, Edmund Husserl, Martin Heidegger e Simone de Beauvoir . Lê até Dosotoivski e prefere estes às sua próprias idéias registradas nos evangelhos. Estaria mais propenso a viver o presente, nessa nova fase, do que esperar aquela lenga-lenga apocalíptica. Um Jesus vencedor que sucumbiu ao diabo na tentação e transformou pedras em pão, pulou da parte mais alta do templo para mostrar sua capacidade de sobreviver aos impactos e recebeu todos os reinos do mundo depois de adorar, prostrado, o senhor das trevas. Um mito, enfim. Mas, além disso, essa turma criou poderosas estratégias de defesa em torno desse mito.

Em nossos dias, é inaceitável chamar Jesus de amigo dos parias, dos perdedores, dos desvalidos e maltrapilhos.Quando se fala no Mestre, logo devemos lembrar de vitória. Com Ele ficaremos ricos. Todos os nossos sonhos de consumo se realizarão. Buscai o Reino de Deus e sua justiça e as outras (todas: casas, carros, canetas de ouro, pinico de prata, Ipod, celular digital, chifre de marfim, etc…) coisas lhes serão acrescentadas.

Logo, Jesus o conhecido de todos nós, hoje, é um mito. O verdadeiro Jesus Galileu anda esquecido na voz de algum pregador de praça pública, de um missionário entre os africanos aidéticos, no centro da guerra do Iraque, no meio dos indianos das regiões insalubres da Índia, nas favelas brasileiras ou no sertão árido e seco do nosso nordeste, enquanto perdemo-nos em loquacidades frívolas e tolas.

Agora preciso acabar minhas leituras, pois farei palestra sobre Jesus no final de semana. O que estou lendo? Nietzsche, Sartre, Camus, etc….

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