O eclipse de Deus*

“Nada é mais perigoso para o avanço do reino de Deus do que a religião. Mas, isto é o que o cristianismo se tornou. Vocês não percebem que é possível que se mate Cristo com esse tipo de cristianismo”1

Nota para registro e arquivo: 14 de maio de 2007, 16h45, Fortaleza – Ceará – Brasil. O portão largo da fé. Indumentária e liturgia como elementos essenciais.

Alguém me perguntou: Você viu Sua Santidade o Papa na TV?

Caro amigo, respondendo sua pergunta. Claro que vi… Vi quase tudo. Confesso que fiquei indignado e até relutei em comentar. Vi o exagero na cobertura da mídia. Vi um homem que cria possuir poderes designados pelo apóstolo Pedro. Vi um homem que cria possuir  único instrumento necessário a salvação em suas mãos.

Motivado pela sua pergunta resolvi romper o silêncio. Fazer jus ao nome do blog Vibrações da Alma  para não cair em delito comigo mesmo. Aceito a reverencia imputada à Sua Santidade. Portanto recebam meu respeito e compreensão. Resolvi comentar de maneira ousada e desaforada a quem se interessar possa. Porém ao fazê-lo, faço com certo desconforto. No momento preferia continuar caminhando e avançado em conhecer cada vez mais o meu Deus.

 

Como te prometi, vou ali ver mais um pouco os finalmentes. Me liga mais tarde. Prometo conversarmos sobre o assunto. Antes vou deixar esse texto do escritor Guimarães Rosa falar por si:

“Como não ter Deus? Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo resolve. Mas, se não tem Deus, há de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar… Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim, dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Se eu estou falando às flautas, senhor e corte. Meu modo é este. Nasci para não ter homem igual em meus gostos. O que eu invejo é a sua instrução do senhor…” 2

Por enquanto é só. Meu dileto amigo, por alguns dias, a mídia me passou uma impressão que o povo não conseguia ver Deus. De que o véu não foi rasgado, ou, existia um eclipse.

(*) Expressão usada por Martin Buber

(1) (BLUMHARDT, 1842 – 1919, (s.n.t) citado por MCLAREN, 2007, p.263)

(2) Riobaldo/Guimarães Rosa, Grande sertão: Veredas

 

 

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