O Todo-poderoso Deus, o Deus vivente, voltou-se para Gabriel e falou-lhe desta maneira:

– Vai, toma estas duas porções do meu ser. Dois destinos as esperam. A cada um deles dá uma parte de mim mesmo.

Portanto duas cintilantes e tremeluzentes luzes de vida, Gabriel abriu a porta que dá entrada ao reino entre os dois universos, e desapareceu. Penetrara na Esfera dos destinos ainda Não Nascidos.

– Tenho aqui duas porções da natureza de Deus. A primeira é a própria vestidura da sua natureza. Quando envolve alguém, reveste-o com o sopro divino. Como a água cobre quem quer que o mergulhe no mar, assim é quando o mesmo sopro divino envolve uma pessoa. Com este, o vento que reveste, você possuirá o poder de Deus. O poder que destrói exércitos, abate os inimigos de Deus e realiza a sua obra na terra. Eis o poder de Deus como um dom. Eis a imersão no Espírito. (grifo meu).

Um destino deu um passo à frente:

– Essa porção de Deus é pra mim.

– É verdade, – respondeu o anjo – e, lembre-se, aquele que recebe porção tão grande de poder como esta certamente será conhecido por muitos. Por onde quer que peregrine na terra, o seu verdadeiro caráter se tornará conhecido; sim, será revelado por meio deste poder. Será esse o destino de todos aqueles que receberem e exercerem esta porção, pois ela toca apenas o homem exterior, em nada influenciando o homem interior. O poder exterior sempre revelará os recursos interiores, ou a ausência deles.

O primeiro destinado aceitou e deu um passo atrás.

Gabriel falou novamente.

– Tenho aqui o segundo de dois elementos do Deus vivente. Não se trata de um dom, mas de uma herança. O dom reveste o exterior do homem; a herança é plantada no profundo do ser – como uma semente. Todavia, mesmo sendo um plantio tão pequeno, esta plantação cresce, e no tempo devido, enche todo o homem interior. (grifo meu).

Outro destino deu um passo à frente:

– Creio que tenho direito a esse elemento para minha peregrinação terrena.

– É verdade – respondeu de novo o anjo.

– Devo dizer-lhe que o que lhe é dado é algo glorioso: o único elemento no Universo, conhecido de Deus ou dos anjos, que pode transformar o coração humano.

Todavia, até este elemento do próprio Deus não pode cumprir o seu objetivo nem pode crescer e encher todo o seu ser interior a menos que seja bem misturado. Ele deve ser prodigamente mesclado com dor, tristeza e abatimento. (grifo meu).

O segundo predestinado recebeu o elemento e deu um passo atrás.

Ao lado de Gabriel, estava assentado o anjo Amanuense, o qual conscientemente deu entrada no livro ao registro dos dois destinos.

– E quem serão estes dois destinos após terem transposto a porta do universo visível? – indagou o Amanuense.

Gabriel respondeu mansamente: – Cada um, a seu próprio tempo, será rei.

 

Edwards, Gene. O perfil dos três reis, Vida, 15º ed. São Paulo, Vida, 2004. prólogo

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