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Uma voz entrecortada, quase um sussurro, e  carregada de ansiedade, pergunta:  pode me ouvir?

– respondo. Sim, claro.

Na mesma hora, tive  uma estranha sensação,  como um insith tivesse  plugado na tomada  elevado à potência máxima.

Houve alguns minutos de silêncio depois da última frase…

Uma preocupação a perturbava. Tentei iniciar uma conversa, uma prosa, afim de dizer alguma coisa, perguntei se poderia ajuda-la.

– Sinto a dor do amor invadir meu peito –  explicou,  com a dicção acelerada pela angustia. A dor do amargo sabor…  ouvi  seu relato em silêncio, quieto, sem fazer nenhum comentário mental, sem esboçar nada que a interrompesse.

“Estou profundamente ressentida com algo que não consigo perceber o que é. Não sei o que fazer… um rio corre dentro da minha cabeça como um fluxo de pensamento involuntário regado à emoções. São lembranças, interpretações.”

Facilmente diagnostico falta de integridade, de egoísmo, de amor.

“Preciso disseminar a compulsão pela vingança. Foi dramático. Ainda não encontrei respostas, apenas me senti diminuída como pessoa.”

Amar devia ser simples, mas não é. Percebi que sou  “Somos reféns da sorte,” porque na busca da satisfação no amor em  “sermos alguém de alguém” é complexo.   Dostoiévski tinha razão quando disse que “o inferno é o sofrimento causado pela nossa incapacidade de amar”. Quando amamos ficamos vulneráveis à dor do amor. Quem ama precisa estar disposto  porque o amor é intenso. Ao contrario das coisas efêmeras, pequenas.”

Ela falou por uns 10 minutos.  Permaneci ali, pensando e escutando.

De repente,  ela se calou.

E  pôs fim  à história.

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