A lógica do útil é, paradoxalmente, muito restrita para produzir a utilidade necessária. De fato, não vê muito longe. Só pela separação de si é possível chegar a compreender verdadeiramente a utilidade de todos e, portanto, a própria vantagem. Se não existe separação, é impossível alcançar uma ideia do útil que não seja a radicalização do egoísmo.

Citando Mandeville:

“vícios privados, públicas virtudes. Ao dar vasão ao próprio egoísmo, ao perseguir os próprios interesses, os seres humanos desenvolvem a civilização”.  Na poesia ” A colméia descontente”, que constitui o núcleo de A fábula das abelhas, lemos esses versos:

“A virtude da política

aprender mil truques astutos,

graças à feliz influência,

estreitou amizade com o vício”.

O crescimento e a complexificação das necessidades exige novas respostas. Daí o desenvolvimento da pesquisa, da invenção: coisas que jamais poderiam surgir-se se não fosse o impulso dos interesses.

 

Salvadore Anatoli em Formação do caráter

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