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O teu amor é melhor do que a vida! Por isso meus lábios de louvam.
(Salmos. 63.3)

A árvore plantada a beira das águas correntes é uma bela imagem, mas o campo de atuação da espiritualidade está repleto de escombros.
O homem contemporâneo preferiu segurar-se no corrimão do pragmatismo ocidental. Do ponto de vista prático, nada é realmente objetivo em relação às aspirações humanas quando se trata das demandas pessoais que movem a vida humana. Principalmente o entendimento profundo da realidade do coração. Minha impressão é que o homem ocidental contemporâneo não conseguiu conciliar a justificação e a retidão. A razão disso, o assunto espiritualidade merece ser revisitado pelo cristão.

Ora, Deus é grande e tem de lidar com a nossa im-piedade – piedoso é aquele que cumpre regras. Desse modo, no cristianismo, a religião do caminho, a justificação e a retidão são irmãs gêmeas do processo.
Quando o rei Nabucodonosor ergueu uma imagem de ouro, e ordenou que todo o povo a adorasse quando ouvisse um som da musica. Três jovens  hebreus, que haviam sido segregados  da pátria, a ideia de adorar outro deus era repugnante.  Deus é uma realidade onipresente não uma ideia em que podemos crer ou não!

Minha percepção, obviamente limitada, é de que algumas pessoas conhecem as escrituras, mas não conhecem o poder de Deus; outras  conhecem o poder de Deus, mas não conhecem as escrituras. Não obstante,  integrar  justificação e retidão deve ser nosso desafio, neste tempo, para conectar  a realidade da nossa vida e da igreja, com o chão da graça.
Portanto, o homem contemporâneo não conseguiu, ainda, compreender os conceitos de “piedade”, “sagrado” justamente por ele ser dessacralizado. O homem diviniza suas paixões, suas ilusões, suas virtudes.

Segundo André Chouraqui, para o hebreu, a palavra  “santo” e as realidades que designa categorias imediatas de sua consciência:

A intervenção de Deus na história, de que Ele é o Senhor. (…) O julgamento de Deus é de todos os instantes e concerne a todos os vivos. Uma ideia central comanda a metafísica do julgamento de Deus: o homem é idêntico ao que quer ser. Ele se identifica com o que ama, e a  resposta à sua única questão – ser ou não ser, viver em Deus ou desaparecer no nada – vem dele e, em sua liberdade, se inscreve para ele nas balanças da eternidade. (CHOURAQUI, 1990, p. 286)

Sadraque, Mesaque e Abede-nego haviam apreendido a não se curvar diante dos apelos sedutores da idolatria.
Certamente eles estavam obstinados por esse princípio “ O teu amor é melhor do que a vida!” Tempos depois, outro escritor escreveu “ Para mim a vida é Cristo, e a morte é lucro”

(Filipenses 1.21)

Educador do século XVI, Francisco de Sales, dizia: “ Não tente conseguir de outra maneira o que não conseguir por amor”. Jesus é o único Caminho. Se cremos que Jesus  é o filho de Deus encarnado. Se cremos que somos verdadeiros adoradores, deveríamos  além de cantar inspirados no domingo, também, viver para glória de Deus toda semana. Afinal de contas, “sufocar a piedade e diminuir a devoção a Deus”

Por fim, assim como a justificação e a retidão; a paz e a benção; o amor e a vida estão ligados tão estreitamente, que é impossível desassociá-los. Portanto,  encontrar a espiritualidade presente em todo e qualquer ato de nossa existência, na comunhão de um coração em chamas, no “exercício da piedade” é nossa maneira de dizer ”não posso parar”.  Não tenho mais que me orientar pelas expectativas do mundo, ou pelas expectativas das pessoas. Deus fez tudo por mim. O que o importa é que o seu Amor é melhor que a vida!

Que a graça te seja multiplicada.

Chagas

CHOURAQUI,André. Os homens da bíblia, a vida cotidiana. Companhia das Letras, p.286

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