Uma perspectiva teologica sobre o estado da crise econômica brasileira.

“Muitos já conceberam repúblicas e monarquias jamais vistas, e que nunca existiram na realidade. (…) Mas, como minha intenção é escrever o que tenha utilidade para quem estiver interessado, pareceu-me mais apropriado abordar a verdade efetiva das coisas, e não a imaginação” (Maquiavel)

(Atos 5:19) – Mas de noite um anjo do Senhor abriu as portas da prisão e, tirando-os para fora, disse: (Atos 5:20) – Ide e apresentai-vos no templo, e dizei ao povo todas as palavras desta vida.(Atos 5:29) – Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.

Faço parte dos ministérios bivocacionados, (1Co 4:12; 1Ts 2.9). Dedico boa parte de minha vida na área contábil. São longos vinte anos. E, por sobrevivência, ainda, preciso lidar mais tempo.

A princípio, constato que apenas uma boa retórica não mudaria em nada o atual sistema econômico. Considero-o insustentável. Contudo, devo crer em alternativas e nas possibilidades de mudança. É uma questão de afirmação. Todos os sistemas e movimentos, possíveis, sejam eles políticos, econômicos e sociais possuem começo, meio e fim.

Portanto, alimento-me dessa possibilidade para refrescar a mente, e com isso, projetar esperança para um mundo melhor. Não posso negar as evidencias intencionais. Estaria míope, não fisicamente, mas moralmente, se não almejasse tal mudança.

Sinto desejo enorme de presentear uma boa parte dos políticos brasileiros com uma Luneta Mágica, tamanha é minha indignação. Lembro-me de Simplício – personagem de Joaquim Manuel de Macedo. Neste ponto, faço questão de citar Ipsis literis , o diálogo com o negociante.

“Chamo-me Simplício e tenho condições morais naturais ainda mais tristes do que meu nome.

Nasci sob a influência de uma estrela maligna, nasci marcado com o selo do infortúnio.

Sou Míope: pior do que isso, duplamente míope, física e moralmente.

Miopia Física: – a duas polegadas de distancia dos olhos não distingo um girassol de uma violeta.

E por isso ando na cidade e não vejo as casas.

Miopia Moral: – sou sempre escravo das idéias dos outros; porque nunca pude ajustar idéias minhas.

E por isso quando vou às galerias da Câmara temporária ou do Senado, sou consecutiva e decididamente do parecer de todos os oradores que falam pró e contra a matéria em discussão.

Se ao menos eu não tivesse consciência dessa minha miopia moral!.. Mas a convicção profunda de infortúnio tão grande é a única luz que brilha sem nuvens no meu espírito.

Disse-me um negociante meu amigo que por essa luz da consciência represento eu a antítese de tão poucos varões assinalados que não têm dez por cento de capital da inteligência que ostentam, e com que negociam na praça das coisas públicas.

– Mas esses varões não quebram, negociando assim? .. perguntei-lhe

– Qual! São as coisas públicas que andam ou se mostra quebradas.

– E eles?

– Continuam sempre a negociar com crédito dos tolos, e sempre se apresentam como boas firmas.

Na cândida inocência da minha miopia moral não pude entender se havia simplicidade nas palavras do meu amigo.”

Enfim, meus amigos, deleguei poderes da representatividade e fracassei. É inegável que estamos em crises (econômica, exclusão social, violência, etc.) Vivemos longínquas eras no mundo SUB – desenvolvimento, produtor, pecuário, industrial, etc.

Em estágios passados a razão/homem contemplava a natureza na forma estética. Hoje não! Por isso, lamento, sobremaneira, a desocupação da mente e, em linhas gerais, o estado evolutivo, sem freio, desta crise generalizada.

Alguém poderia pensar que estou vivendo um sonho, em querer um pouco de estabilidade. Seria utopia almejar um sistema produtivo, social e econômico sustentável? Não, não seria. Afinal, eles precisam de mim. A classe sociável dominante não me reconheceria como indivíduo sem esse desejo de consumo. As empresas precisam saber minhas necessidades para poder produzirem seus produtos. Sou um mero objeto de pesquisa.

Li recentemente algo sobre esperança de um mundo em desenvolvimento.

Sem dúvida tendes visto muito… Demorai porém em pouco, porque o mais grandioso ainda está por vir. Esperai trinta anos, e então olhai para a terra com olhos de ver! Veres maravilhas sobre maravilhas somadas àquelas a cujo nascimento vindes assistindo; e em volta delas, claramente visto, havereis de ver-lhe o formidável Resultado – o homem quase atingindo enfim seu total desenvolvimento – e continuando ainda a crescer, visivelmente crescendo, sob vossos olhos… Esperai até verdes surgir essa grande figura, e surpreendei o brilho remoto do sol sobre o seu lábaro; então podereis partir satisfeitos, ciente de terdes visto aquele para quem foi feita a terra, e com a certeza de que ele há de proclamar que o trigo humano é mais importante do que o humano joio, e passará a organizar os valores humanos nessa base. (Whitman, Walt. Citado por Alves, O enigma da religião, 5ª ed. 2006, p 100.

Não podemos esperar. (1Pe 3.17,18) Chega de paliativos! Precisamos de soluções concretas. Por desejar um mundo mais humano, me ponho de joelhos.(Salmos 146:3) – Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há salvação.(Salmos 146:5) – Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está posta no SENHOR seu Deus. (Salmos 146:7) – O que faz justiça aos oprimidos, o que dá pão aos famintos. O SENHOR solta os encarcerados. (Salmos 146:9) – O SENHOR guarda os estrangeiros; sustém o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios. (Salmos 146:10) – O SENHOR reinará eternamente; o teu Deus, ó Sião, de geração em geração. Louvai ao SENHOR.

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