DIALOGO DA CIENCIA COM DEUS (SÉC XIX) AUTOBRIOGRAFIA CHARLES DARWIN (1809-1882)

Por maiores que fossem as crises por que passei, nunca desci até o ateísmo, no verdadeiro sentido do termo, isto é, nunca cheguei a negar a existência de Deus.

A possibilidade de conceber este grande e maravilhoso universo, com nossos “eus” inconscientes, como obra do acaso, é , a meu ver, o argumento principal a favor a existência de Deus.

Outro motivo de minha crença na existência de Deus , ligado não ao sentimento, mas à razão, e que , pelo seu grande peso, não pode deixar de impressionar-me , é a extrema dificuldade, ou antes, a radical impossibilidade de conceber o universo, prodigioso e imenso, incluindo o homem com a faculdade de se reportar ao passado e de prever o futuro, como resultado de um destino ou de uma necessidade cega.

Refletindo sobre isso, sou forçado a admitir uma causa primeira, um espírito inteligente, sob certo aspecto análogo ao do homem.

E mereço, por isso, que me considerem deísta.

Esta conclusão está fortemente radicada no meu espirito, desde a época em que escrevi  A Origem das Espécies  ( pp. 354, 356, 363).

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