“Perdemos aqueles traços, como se pode perder um número mágico, composto de cifras habituais: como se perde para sempre uma imagem no caleidoscópio. Podemos vê-los e ignorá- lo. O perfil de um judeu no metrô talvez seja o de Cristo; as mãos que nos passam algumas moedas num guichê talvez repitam as de alguns soldados que, um dia, o pregaram na cruz. Talvez um traço do rosto crucificado se oculte em cada espelho; talvez tenha desaparecido, se apagado, para que Deus seja tudo em todos.”

Borges, Jorge Luis. “Paradiso XXXI, 108″em L’artefice, em Tutte le opere, Domenico Porzio (org.) vol. I, Mondadori Milano, 1984,pp. 1152-53)

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